SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Em relação aos aneurismas da aorta torácica descendente (AAD), assinale a afirmativa INCORRETA.
Paraplegia é risco real tanto na cirurgia aberta quanto no TEVAR.
A isquemia medular e consequente paraplegia ocorrem em ambos os tratamentos (aberto e endovascular) devido à oclusão de artérias intercostais que nutrem a medula espinhal.
O aneurisma de aorta torácica descendente (AAD) é uma patologia grave, frequentemente associada à hipertensão e aterosclerose. Diferente dos aneurismas de aorta ascendente, que frequentemente envolvem a valva aórtica, o AAD localiza-se distalmente à artéria subclávia esquerda. O tratamento endovascular (TEVAR) tornou-se o padrão-ouro devido à menor morbimortalidade perioperatória em comparação à toracotomia esquerda necessária na cirurgia aberta. Contudo, a complicação mais devastadora de ambos os métodos é a isquemia medular. A incidência de paraplegia na cirurgia aberta varia de 10% a 15%, enquanto no TEVAR situa-se entre 2% e 8%. A afirmação de que a paraplegia não tem sido documentada na via percutânea é incorreta e perigosa, pois negligencia a necessidade de medidas preventivas, como a drenagem de LCR e o controle rigoroso da pressão arterial média no pós-operatório desses pacientes.
A paraplegia decorre da isquemia da medula espinhal. Isso ocorre quando o suprimento sanguíneo arterial, frequentemente dependente da artéria radicular magna (artéria de Adamkiewicz) e de outras artérias intercostais ou lombares, é interrompido. No tratamento aberto, isso ocorre pelo clampeamento ou ligadura dessas artérias; no TEVAR, a endoprótese cobre os óstios dessas artérias, impedindo o fluxo sanguíneo para a medula.
A indicação cirúrgica geralmente ocorre quando o diâmetro atinge 5,5 cm em pacientes sem doenças do tecido conjuntivo. Em pacientes com Síndrome de Marfan ou outras aortopatias genéticas, o limiar pode ser menor (5,0 cm). Outras indicações incluem crescimento rápido (> 0,5 cm em 6 meses ou > 1 cm em um ano), sintomas compressivos ou complicações como dissecção ou ruptura iminente.
As estratégias incluem a drenagem de líquido cefalorraquidiano (LCR) para reduzir a pressão intratecal e melhorar a pressão de perfusão medular, manutenção de pressão arterial média elevada durante e após o procedimento, e o uso de monitorização de potenciais evocados somatossensoriais ou motores para detectar isquemia em tempo real, permitindo ajustes hemodinâmicos.
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