Aneurisma de Aorta Torácica: Indicações e Riscos de Paraplegia

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Em relação aos aneurismas da aorta torácica descendente (AAD), assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) É bem menos frequente do que o da aorta abdominal.
  2. B) Pode ser corrigido por via aberta ou percutânea, sendo essa feita com maior frequência e geralmente, por via femoral.
  3. C) Sua indicação cirúrgica ocorre quando ele atinge cerca de 5,5 cm, variando entre 5 e 6, a depender de algumas situações associadas.
  4. D) A mais temida complicação do tratamento é a paraplegia, por comprometer a circulação espinhal. Ocorre na ressecção aberta (10 a 12%), mas não tem sido documentada na percutânea.
  5. E) Uma vez descobertos (com menos de 5 cm), devem ser acompanhados a cada 1 ou 2 anos, a depender de seu tamanho, com TC ou RM.

Pérola Clínica

Paraplegia é risco real tanto na cirurgia aberta quanto no TEVAR.

Resumo-Chave

A isquemia medular e consequente paraplegia ocorrem em ambos os tratamentos (aberto e endovascular) devido à oclusão de artérias intercostais que nutrem a medula espinhal.

Contexto Educacional

O aneurisma de aorta torácica descendente (AAD) é uma patologia grave, frequentemente associada à hipertensão e aterosclerose. Diferente dos aneurismas de aorta ascendente, que frequentemente envolvem a valva aórtica, o AAD localiza-se distalmente à artéria subclávia esquerda. O tratamento endovascular (TEVAR) tornou-se o padrão-ouro devido à menor morbimortalidade perioperatória em comparação à toracotomia esquerda necessária na cirurgia aberta. Contudo, a complicação mais devastadora de ambos os métodos é a isquemia medular. A incidência de paraplegia na cirurgia aberta varia de 10% a 15%, enquanto no TEVAR situa-se entre 2% e 8%. A afirmação de que a paraplegia não tem sido documentada na via percutânea é incorreta e perigosa, pois negligencia a necessidade de medidas preventivas, como a drenagem de LCR e o controle rigoroso da pressão arterial média no pós-operatório desses pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de paraplegia no tratamento do aneurisma de aorta torácica?

A paraplegia decorre da isquemia da medula espinhal. Isso ocorre quando o suprimento sanguíneo arterial, frequentemente dependente da artéria radicular magna (artéria de Adamkiewicz) e de outras artérias intercostais ou lombares, é interrompido. No tratamento aberto, isso ocorre pelo clampeamento ou ligadura dessas artérias; no TEVAR, a endoprótese cobre os óstios dessas artérias, impedindo o fluxo sanguíneo para a medula.

Quais as indicações para cirurgia no aneurisma de aorta torácica descendente?

A indicação cirúrgica geralmente ocorre quando o diâmetro atinge 5,5 cm em pacientes sem doenças do tecido conjuntivo. Em pacientes com Síndrome de Marfan ou outras aortopatias genéticas, o limiar pode ser menor (5,0 cm). Outras indicações incluem crescimento rápido (> 0,5 cm em 6 meses ou > 1 cm em um ano), sintomas compressivos ou complicações como dissecção ou ruptura iminente.

Como prevenir a isquemia medular durante o reparo da aorta?

As estratégias incluem a drenagem de líquido cefalorraquidiano (LCR) para reduzir a pressão intratecal e melhorar a pressão de perfusão medular, manutenção de pressão arterial média elevada durante e após o procedimento, e o uso de monitorização de potenciais evocados somatossensoriais ou motores para detectar isquemia em tempo real, permitindo ajustes hemodinâmicos.

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