USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Homem, 60 anos de idade, com antecedente de tabagismo e hipertensão, procura o hospital com queixa de dor abdominal súbita, de forte intensidade, irradiada para flanco e lombar à esquerda, há 4 horas. Relata que teve um quase desmaio, com sudorese fria no momento do início da dor, e se recuperou após alguns minutos. Ao exame físico, apresenta-se normotenso, corado e bem perfundido, com pulsos palpáveis em todas as extremidades. O exame clínico do abdome revela massa pulsátil dolorosa. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Aneurisma de aorta roto, mesmo tamponado, apresenta dor súbita intensa, massa pulsátil e sinais de hipovolemia/síncope transitória.
A tríade clássica de dor abdominal/lombar, massa pulsátil e hipotensão é altamente sugestiva de aneurisma de aorta abdominal roto. Mesmo com normotensão inicial, o 'quase desmaio' e sudorese fria indicam sangramento significativo, possivelmente tamponado, que pode evoluir rapidamente para choque.
O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma dilatação patológica da aorta, mais comum em homens acima de 60 anos, com fatores de risco como tabagismo, hipertensão e aterosclerose. A ruptura do AAA é uma emergência médica com alta mortalidade, sendo crucial o reconhecimento precoce para intervenção. A apresentação pode variar, mas a dor súbita e intensa é um sintoma cardinal, frequentemente irradiada para o dorso ou flancos. A presença de uma massa pulsátil abdominal ao exame físico é um achado importante que reforça a suspeita. A ruptura pode levar a um sangramento maciço para o retroperitônio, causando choque hipovolêmico. Em alguns casos, o sangramento pode ser temporariamente contido, resultando em um 'tamponamento', o que pode mascarar a hipotensão inicial, mas o paciente ainda apresentará sinais de hipovolemia, como sudorese e pré-síncope. O diagnóstico é primariamente clínico, e a confirmação por ultrassonografia à beira do leito ou tomografia computadorizada é vital. O tratamento definitivo é cirúrgico, seja por reparo aberto ou endovascular (EVAR), e deve ser realizado o mais rapidamente possível. O prognóstico depende da estabilidade hemodinâmica do paciente e do tempo até a intervenção cirúrgica. A educação sobre os sinais de alerta e a rápida tomada de decisão são fundamentais para melhorar os desfechos.
A tríade clássica inclui dor abdominal ou lombar súbita e intensa, massa abdominal pulsátil e hipotensão. No entanto, a hipotensão pode ser transitória ou ausente em casos de tamponamento, onde o sangramento é contido temporariamente pelo retroperitônio.
A normotensão pode ocorrer se o sangramento for contido pelo retroperitônio, criando um 'tamponamento'. Isso retarda a queda da pressão arterial, mas não diminui a gravidade da condição. O histórico de síncope ou pré-síncope é um forte indicativo de sangramento prévio.
A conduta inicial é estabilização hemodinâmica, acesso venoso calibroso, coleta de exames laboratoriais (hemograma, coagulograma, tipagem sanguínea), e encaminhamento urgente para cirurgia vascular. O diagnóstico é clínico, e a confirmação por imagem (ultrassom ou TC) deve ser rápida e não atrasar a intervenção cirúrgica em pacientes instáveis.
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