Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 70 anos de idade, hipertenso, tabagista de 20 anos/maço, dá entrada ao P.S. (Pronto-Socorro) com dor lombar e hipotensão (PA = 90 x 40). Tem histórico de revascularização da perna esquerda por trombose de aneurisma de artéria poplítea. No que se refere ao caso, a melhor conduta inicial seria:
Dor lombar + hipotensão + massa pulsátil em idoso tabagista = AAAR até prova em contrário.
Paciente idoso, tabagista, hipertenso, com dor lombar e hipotensão, deve levantar forte suspeita de aneurisma de aorta abdominal roto. A angiotomografia é o exame de escolha para confirmação e planejamento, e a reposição volêmica deve ser cautelosa para evitar a tríade letal.
O aneurisma de aorta abdominal roto (AAAR) é uma emergência médica com alta mortalidade, especialmente em pacientes idosos com fatores de risco como hipertensão e tabagismo. A tríade clássica de dor abdominal/lombar, hipotensão e massa abdominal pulsátil é altamente sugestiva, mas nem sempre completa. A história de revascularização prévia pode indicar doença aterosclerótica generalizada, aumentando a suspeita. A conduta inicial em pacientes com suspeita de AAAR e instabilidade hemodinâmica é a estabilização e o transporte rápido para um centro cirúrgico. A angiotomografia é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e planejar a cirurgia, mas deve ser realizada apenas se o paciente permitir. Em pacientes instáveis, o diagnóstico pode ser clínico e a cirurgia imediata é prioritária. A reposição volêmica no AAAR deve ser cautelosa, seguindo o conceito de hipotensão permissiva, para evitar a exacerbação do sangramento e a tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia). Inicialmente, cristaloides são usados, mas derivados do sangue são essenciais para corrigir a perda de hemácias e fatores de coagulação. O objetivo é manter a perfusão de órgãos vitais sem aumentar excessivamente a pressão arterial antes do controle cirúrgico do sangramento.
Os principais fatores de risco para aneurisma de aorta abdominal incluem idade avançada, sexo masculino, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, aterosclerose e história familiar de aneurisma. O tabagismo é o fator de risco mais modificável e significativo.
A angiotomografia é o exame de escolha para AAAR porque permite confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da ruptura, a anatomia do aneurisma e planejar a abordagem cirúrgica (aberta ou endovascular). É rápida e precisa em pacientes estáveis ou parcialmente estáveis.
A reposição volêmica cautelosa, visando a hipotensão permissiva (PA sistólica entre 80-100 mmHg), é crucial para evitar o aumento da pressão arterial e a exacerbação do sangramento. Reposição agressiva pode diluir fatores de coagulação, causar hipotermia e acidose, piorando o choque hemorrágico.
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