Aneurisma de Aorta Abdominal Roto: Diagnóstico e Conduta

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 67 anos, caucasiana, dá entrada no pronto-socorro com queixa de dor abdominal aguda irradiada para o dorso, com início há 2 horas, após estresse familiar. No momento do início da dor, sentiu-se muito mal, chegando a ter uma síncope. No momento da admissão no PS, a dor abdominal e dorsal é intensa e persistente, apesar da dipirona tomada em casa. Exame físico: PA: 90x40mmHg, FC: 130bpm. Apresenta-se com agitação psicomotora, sudorese profusa, hipotermia de extremidades, descorado +3/+4, todos os pulsos periféricos presentes. Abdome: doloroso, tenso e distendido, com massa pulsátil mal delimitada em mesogastro e epigástrio. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta definida?

Alternativas

  1. A) Aneurisma roto de aorta abdominal; laparotomia exploradora.
  2. B) Dissecção aguda de aorta; colocação de endoprótese em aorta.
  3. C) Isquemia mesentérica aguda; desobstrução por cateterismo.
  4. D) Ruptura e hemorragia de cisto renal; nefrectomia por lombotomia.
  5. E) Nervosismo extremo com repercussão na dinâmica intestinal.

Pérola Clínica

Dor abdominal/dor lombar + massa pulsátil + hipotensão/choque = AAA roto → Laparotomia exploradora imediata.

Resumo-Chave

A tríade clássica de dor abdominal/lombar, massa abdominal pulsátil e hipotensão/choque é altamente sugestiva de aneurisma de aorta abdominal (AAA) roto. Diante de um paciente instável hemodinamicamente com essa apresentação, a conduta é a laparotomia exploradora de emergência para controle da hemorragia e reparo do aneurisma, sem atrasos para exames de imagem.

Contexto Educacional

O aneurisma de aorta abdominal (AAA) roto é uma emergência médica com alta mortalidade, exigindo reconhecimento e intervenção imediatos. É mais comum em homens idosos com histórico de tabagismo, hipertensão e doença aterosclerótica. A apresentação clínica clássica, como no caso descrito, envolve dor abdominal aguda e intensa, frequentemente irradiada para o dorso, associada a uma massa abdominal pulsátil e sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia, sudorese, síncope). A fisiopatologia envolve a ruptura da parede aórtica aneurismática, levando a uma hemorragia retroperitoneal maciça, que pode se estender para a cavidade peritoneal. A perda sanguínea resulta em choque hipovolêmico, manifestado por hipotensão, taquicardia e sinais de má perfusão periférica. A presença de uma massa pulsátil no abdome é um achado crucial que, em conjunto com a dor e o choque, fecha o diagnóstico clínico. A conduta para um paciente com suspeita de AAA roto e instabilidade hemodinâmica é a laparotomia exploradora de emergência. Não se deve atrasar a cirurgia para realizar exames de imagem (como TC), pois o tempo é fator crítico para a sobrevida. A estabilização hemodinâmica inicial com fluidos intravenosos é importante, mas o controle definitivo da hemorragia é cirúrgico. A dissecção aguda de aorta é um diagnóstico diferencial importante, mas a presença da massa pulsátil e o choque hemorrágico favorecem o AAA roto.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de um aneurisma de aorta abdominal (AAA) roto?

A tríade clássica inclui dor abdominal ou lombar intensa e súbita, massa abdominal pulsátil e hipotensão ou choque. Outros sintomas podem ser síncope, sudorese e palidez, indicando choque hipovolêmico.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de AAA roto e instabilidade hemodinâmica?

A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com acesso venoso calibroso e infusão de fluidos, seguida de encaminhamento imediato para laparotomia exploradora de emergência. Exames de imagem não devem atrasar a cirurgia em pacientes instáveis.

Como diferenciar um AAA roto de uma dissecção aguda de aorta?

Embora ambos possam causar dor torácica/abdominal irradiada para o dorso e instabilidade, o AAA roto tipicamente apresenta uma massa abdominal pulsátil e choque hipovolêmico devido à hemorragia. A dissecção de aorta, embora também grave, pode não ter a massa pulsátil e a dor é frequentemente descrita como 'dilacerante', com pulsos assimétricos ou déficits neurológicos.

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