USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 65 anos, hipertenso, tabagista de 150 anos-maço e diabético, é admitido no pronto-socorro com dor abdominal de forte intensidade. Na avaliação inicial apresentou pressão arterial de 90x60 mmHg, frequência cardíaca de 130 bpm e massa abdominal pulsátil à palpação. Tomografia de abdome com extenso hematoma de retroperitônio. Qual a conduta recomendada no caso?
Massa pulsátil + Dor abdominal + Hipotensão = AAA Roto → Cirurgia imediata.
O aneurisma de aorta abdominal roto é uma emergência cirúrgica extrema. A presença de instabilidade hemodinâmica e massa pulsátil exige intervenção imediata sem atrasos para estabilização completa.
O Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) é definido como uma dilatação permanente da aorta com diâmetro > 3,0 cm. A ruptura é a complicação mais temida, apresentando mortalidade global superior a 80%. Fatores de risco incluem idade avançada, sexo masculino, tabagismo e história familiar. O hematoma retroperitoneal visto na TC confirma a ruptura contida, mas a instabilidade hemodinâmica (choque) dita a urgência. O tratamento pode ser por cirurgia aberta (clampeamento e enxerto) ou endovascular (EVAR), dependendo da anatomia e disponibilidade de equipe.
A tríade clássica consiste em dor abdominal ou lombar de início súbito, hipotensão arterial e a presença de uma massa abdominal pulsátil à palpação. Embora patognomônica quando completa, muitos pacientes apresentam apenas um ou dois desses componentes, exigindo alto índice de suspeição clínica em pacientes idosos e tabagistas.
A reposição volêmica agressiva com cristaloides pode elevar a pressão arterial a níveis que rompem o coágulo tamponado (hematoma retroperitoneal), exacerbando o sangramento. A estratégia recomendada é a hipotensão permissiva, mantendo a pressão sistólica em torno de 70-90 mmHg até que o controle proximal da aorta seja obtido cirurgicamente.
Em pacientes com instabilidade hemodinâmica franca e diagnóstico clínico claro de AAA roto, a tomografia não deve atrasar a transferência para o centro cirúrgico. No entanto, se o paciente estiver minimamente estável, a angiotomografia é fundamental para planejar a técnica cirúrgica, especialmente se o reparo endovascular (EVAR) for uma opção viável.
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