Aneurisma de Aorta Abdominal Roto: Manejo de Emergência

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 72 anos apresenta-se ao serviço de emergência com dor abdominal súbita e intensa. AP: HAS controlada. Exame físico: massa pulsátil palpável na região abdominal e hipotensão arterial. TC abdominal: aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 5,5 cm (4,0 cm há sete meses).Nesse caso, a conduta deve ser:

Alternativas

  1. A) US abdominal seriado a cada 3 meses.
  2. B) reparo cirúrgico imediato do aneurisma.
  3. C) bloqueador de canal de cálcio e avaliação cardiológica.
  4. D) betabloqueador e acompanhamento clínico regular.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita + massa pulsátil + hipotensão = AAA roto → reparo cirúrgico imediato.

Resumo-Chave

A tríade clássica de dor abdominal/lombar, massa abdominal pulsátil e hipotensão é altamente sugestiva de ruptura de aneurisma de aorta abdominal (AAA), uma emergência cirúrgica com alta mortalidade. O crescimento rápido do aneurisma, como no caso, aumenta significativamente o risco de ruptura. A conduta é o reparo cirúrgico imediato.

Contexto Educacional

O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma dilatação patológica da aorta abdominal, definida como um diâmetro > 3 cm. A ruptura do AAA é uma emergência médica com alta mortalidade, estimada em 80-90%, sendo a maioria dos óbitos pré-hospitalares. A incidência aumenta com a idade, sendo mais comum em homens > 65 anos com histórico de tabagismo, hipertensão e aterosclerose. O rastreamento por ultrassonografia é recomendado para homens tabagistas entre 65 e 75 anos. A fisiopatologia da ruptura envolve a degeneração da parede aórtica, levando ao enfraquecimento e dilatação progressiva. Fatores como hipertensão e tabagismo aceleram esse processo. A ruptura é precipitada pelo estresse de cisalhamento na parede do aneurisma. O diagnóstico de AAA roto é clínico, com a tríade clássica de dor abdominal/lombar, massa pulsátil e hipotensão. Em pacientes instáveis, a ultrassonografia à beira do leito pode confirmar a presença de líquido livre na cavidade abdominal e o aneurisma. Em pacientes estáveis, a tomografia computadorizada é o exame de escolha. A conduta para um AAA roto é o reparo cirúrgico de emergência, seja por cirurgia aberta ou endovascular (EVAR), dependendo da anatomia do aneurisma e da experiência do centro. A prioridade é o controle da hemorragia e a estabilização hemodinâmica. O manejo pré-operatório inclui ressuscitação volêmica cautelosa (hipotensão permissiva) para evitar a diluição dos fatores de coagulação e o aumento da pressão arterial, que pode agravar o sangramento. O prognóstico é sombrio, mas o reparo imediato é a única chance de sobrevida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de um aneurisma de aorta abdominal roto?

A tríade clássica de um aneurisma de aorta abdominal (AAA) roto inclui dor abdominal ou lombar súbita e intensa, uma massa abdominal pulsátil palpável e hipotensão arterial. O paciente pode apresentar também sinais de choque hipovolêmico.

Qual a importância do crescimento do aneurisma no risco de ruptura?

O crescimento rápido do aneurisma, como o aumento de 1,5 cm em sete meses no caso, é um forte preditor de ruptura. O diâmetro absoluto também é importante, com aneurismas > 5,5 cm em homens e > 5,0 cm em mulheres geralmente indicando reparo eletivo devido ao risco aumentado de ruptura.

Por que o reparo cirúrgico imediato é a conduta correta nesse cenário?

O reparo cirúrgico imediato é crucial porque a ruptura do AAA leva a hemorragia maciça e choque hipovolêmico, com alta mortalidade se não tratada rapidamente. A estabilização hemodinâmica inicial é importante, mas o controle da hemorragia através da cirurgia é a única medida definitiva para salvar a vida do paciente.

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