Ruptura de Aneurisma de Aorta Abdominal: Diagnóstico e Conduta

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 75 anos de idade, procura o ambulatório com queixa de massa abdominal há 3 meses. O paciente nega dor abdominal ou outras queixas. Refere hipertensão, diabetes e dislipidemia controlados. Ex-tabagista de 20 cigarros/dia, por 40 anos e parou há 10 anos. Ao exame físico, bom estado geral, corado, FC: 68bpm, PA: 154x92mmHg; auscultas respiratória e cardíaca sem alterações; abdome plano, flácido, presença de massa em mesogástrio, pulsátil, medindo cerca de 5,0cm e indolor à palpação.Indique o diagnóstico mais provável, caso esse paciente evolua com intensa dor aguda lombar com irradiação para o abdome e hipotensão:

Alternativas

  1. A) Ruptura do aneurisma de aorta.
  2. B) Obstrução aguda da artéria mesentérica superior.
  3. C) Ruptura de neoplasia de cólon com sangramento intraperitoneal.
  4. D) Úlcera péptica perfurada

Pérola Clínica

Massa pulsátil + Dor lombar/abdominal + Hipotensão = Ruptura de Aneurisma de Aorta.

Resumo-Chave

A tríade clássica de ruptura de AAA (dor, massa pulsátil e hipotensão) é altamente sugestiva e exige intervenção cirúrgica imediata, mesmo sem exames de imagem em pacientes instáveis.

Contexto Educacional

O aneurisma de aorta abdominal é definido como uma dilatação permanente da aorta com diâmetro > 3,0 cm. O risco de ruptura aumenta exponencialmente com o diâmetro, sendo geralmente indicado tratamento profilático acima de 5,5 cm em homens e 5,0 cm em mulheres. A ruptura retroperitoneal pode ser inicialmente contida, causando dor lombar intensa, mas a evolução para o peritônio livre leva ao choque hemorrágico fatal se não abordado rapidamente. O manejo moderno prioriza o reparo endovascular quando anatomicamente favorável, devido à menor morbimortalidade perioperatória. Contudo, em cenários de instabilidade extrema, a laparotomia exploradora com clampeamento aórtico permanece como conduta salvadora de vida.

Perguntas Frequentes

Quais os principais fatores de risco para AAA?

O tabagismo é o fator de risco mais forte e modificável para o desenvolvimento e expansão do aneurisma de aorta abdominal. Outros fatores incluem idade avançada (especialmente >65 anos), sexo masculino, história familiar de aneurisma, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia. A triagem com ultrassonografia é recomendada para homens entre 65-75 anos que já fumaram.

Como é feito o diagnóstico da ruptura de AAA?

Em pacientes instáveis com massa pulsátil conhecida ou palpável, o diagnóstico é clínico e o paciente deve ser levado imediatamente ao centro cirúrgico. Em pacientes estáveis com suspeita de expansão ou ruptura contida, a Angiotomografia de abdome e pelve é o padrão-ouro, permitindo avaliar a anatomia para planejamento cirúrgico (aberto vs. endovascular).

Qual a conduta imediata na suspeita de ruptura?

A prioridade é a estabilização hemodinâmica com 'hipotensão permissiva' (manter PAS entre 80-90 mmHg) para evitar o aumento do sangramento, enquanto se prepara a equipe de cirurgia vascular. O tratamento definitivo pode ser a correção aberta com enxerto sintético ou o reparo endovascular (EVAR), dependendo da anatomia e disponibilidade de materiais.

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