MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 70 anos, tabagista de longa data (carga tabágica de 45 maços-ano) e hipertenso, comparece ao consultório para uma consulta de rotina, sem queixas específicas. Durante o exame físico segmentar do abdome, o médico observa a presença de uma massa palpável, indolor e com pulsação nítida em sentido lateral, localizada na região periumbilical, medindo aproximadamente 5 cm de diâmetro. O paciente encontra-se hemodinamicamente estável, com pressão arterial de 135x85 mmHg e frequência cardíaca de 72 bpm. Não há sopros abdominais ou massas em outras regiões. Com base no quadro clínico e nos fatores de risco descritos, o diagnóstico mais provável é:
Homem idoso + tabagista + massa periumbilical pulsátil = Aneurisma de Aorta Abdominal.
O AAA é frequentemente assintomático até a ruptura. O rastreio é indicado para homens de 65-75 anos com história de tabagismo via ultrassonografia abdominal, visando prevenir a ruptura catastrófica.
O Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) é definido como uma dilatação focal da aorta abdominal que excede o diâmetro normal em pelo menos 50%, sendo o limite de 3,0 cm geralmente aceito para o diagnóstico. A maioria ocorre abaixo das artérias renais (infra-renais). A fisiopatologia envolve a degradação proteolítica da matriz extracelular (elastina e colágeno) e inflamação crônica da parede arterial, levando ao enfraquecimento e dilatação progressiva. Clinicamente, o AAA é uma 'bomba relógio' silenciosa. A tríade clássica de ruptura (dor abdominal/lombar intensa, hipotensão e massa pulsátil) ocorre em apenas uma minoria dos casos, e a mortalidade após a ruptura é extremamente alta (superior a 80%). Por isso, a detecção precoce através do exame físico cuidadoso e do rastreio ultrassonográfico em populações de risco é a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade específica por esta condição.
Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de um AAA incluem a idade avançada (especialmente acima de 65 anos), o sexo masculino (4 a 6 vezes mais comum que em mulheres), o tabagismo (o fator de risco modificável mais forte), a hipertensão arterial, a dislipidemia e a história familiar de aneurismas. O tabagismo não apenas aumenta o risco de formação do aneurisma, mas também acelera sua taxa de expansão e aumenta o risco de ruptura. Curiosamente, o diabetes mellitus parece ter um efeito protetor paradoxal contra a formação de AAA, embora aumente o risco cardiovascular global.
O rastreio do Aneurisma de Aorta Abdominal é recomendado pela maioria das diretrizes internacionais (como a USPSTF e a SVS) para homens entre 65 e 75 anos que já fumaram em algum momento da vida (pelo menos 100 cigarros). O exame de escolha para o rastreio é a ultrassonografia abdominal, por ser um método não invasivo, de baixo custo e alta sensibilidade. Para homens sem história de tabagismo ou para mulheres, o rastreio não é rotineiramente recomendado, a menos que existam outros fatores de risco significativos ou história familiar de primeiro grau.
A intervenção cirúrgica (seja por cirurgia aberta ou reparo endovascular - EVAR) é geralmente indicada quando o risco de ruptura supera o risco cirúrgico. Os critérios clássicos incluem: diâmetro do aneurisma ≥ 5,5 cm em homens ou ≥ 5,0 cm em mulheres; expansão rápida documentada (> 0,5 cm em 6 meses ou > 1,0 cm em um ano); ou presença de sintomas (dor abdominal ou lombar) atribuíveis ao aneurisma, independentemente do tamanho. Aneurismas menores que esses limites são geralmente acompanhados com exames de imagem periódicos e controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular.
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