Rastreamento de Aneurisma de Aorta Abdominal (AAA) em Idosos

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Homem assintomático de 66 anos com histórico de hiperlipidemia, diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial é atendido em consulta de rotina. Ele tem antecedente de tabagismo de 15 anos-maço e parou de fumar há 30 anos. Refere beber uma taça de 300 mL de vinho tinto por dia e diz que faz longas caminhadas diariamente para se exercitar. Relata tomar a vacina contra a gripe anualmente e que recebeu a vacina pneumocócica no ano passado. Uma colonoscopia, realizada há 5 anos, com resultado normal. Medicações de uso contínuo: enalapril, anlodipino e rosuvastatina. Seus sinais vitais são normais e o exame físico não apresenta alterações. Com base nas melhores evidências comprovadas de benefício, a próxima conduta para o rastreamento e promoção da saúde é solicitar:

Alternativas

  1. A) Angiotomografia de coronárias.
  2. B) Antígeno prostático específico.
  3. C) Teste de esforço em esteira (ergométrico).
  4. D) Tomografia computadorizada de tórax de baixa dose.
  5. E) Ultrassom abdominal.

Pérola Clínica

Homem 65-75 anos + história de tabagismo (≥ 100 cigarros na vida) → Rastrear AAA com USG abdominal.

Resumo-Chave

O rastreamento do aneurisma de aorta abdominal (AAA) reduz a mortalidade específica ao identificar dilatações assintomáticas passíveis de intervenção eletiva em pacientes de alto risco.

Contexto Educacional

O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma condição potencialmente fatal se ocorrer ruptura, frequentemente permanecendo assintomático até o evento agudo catastrófico. O principal fator de risco modificável é o tabagismo, que aumenta tanto a incidência quanto a taxa de expansão do aneurisma. O rastreamento populacional focado em homens idosos com histórico de fumo demonstrou reduzir significativamente a mortalidade relacionada ao AAA através da detecção precoce. Além do rastreamento, o controle rigoroso da pressão arterial, o uso de estatinas para controle lipídico e a cessação definitiva do tabagismo são pilares fundamentais no manejo desses pacientes para prevenir a progressão da doença aneurismática e outros eventos cardiovasculares maiores.

Perguntas Frequentes

Quem deve realizar o rastreamento de AAA?

De acordo com as principais diretrizes internacionais (como a USPSTF) e nacionais, o rastreamento com ultrassonografia abdominal em dose única é recomendado para homens entre 65 e 75 anos que tenham qualquer histórico de tabagismo (definido geralmente como ter fumado pelo menos 100 cigarros na vida). Para homens que nunca fumaram mas possuem outros fatores de risco, a recomendação é individualizada. Para mulheres, o rastreamento rotineiro geralmente não é indicado devido à menor prevalência da doença e menor risco de ruptura em comparação aos homens, a menos que haja histórico familiar importante.

Por que o ultrassom é o exame de escolha?

A ultrassonografia de abdome é o exame de escolha para o rastreamento de AAA devido à sua alta sensibilidade (95-100%) e especificidade, baixo custo, ausência de radiação ionizante e caráter não invasivo. Ele permite a medição precisa do diâmetro anteroposterior da aorta infra-renal, que é o local mais comum de formação de aneurismas. O exame é rápido e não requer preparos complexos, tornando-o ideal para triagem populacional em larga escala, permitindo identificar pacientes que necessitam de vigilância periódica ou intervenção cirúrgica imediata.

Qual a conduta se o diâmetro da aorta for alterado?

A conduta depende do diâmetro medido: aortas com diâmetro inferior a 3 cm são consideradas normais. Se o diâmetro estiver entre 3,0 e 3,9 cm, sugere-se acompanhamento anual. Entre 4,0 e 4,9 cm, o acompanhamento deve ser semestral. A intervenção cirúrgica, seja por via aberta ou endovascular (EVAR), é geralmente indicada quando o diâmetro atinge ≥ 5,5 cm em homens (ou ≥ 5,0 cm em mulheres) ou se houver crescimento rápido definido como aumento > 0,5 cm em 6 meses ou > 1,0 cm em um ano.

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