USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Homem, 68 anos, com dor abdominal tipo cólica em flanco direito há um dia, sem melhora com analgésicos. Foi encaminhado, em caráter de emergência, ao hospital terciário (pronto socorro) com laudo de ultrassom mostrando aneurisma de aorta abdominal fusiforme de cerca de 3,8 cm no maior diâmetro. No momento sua pressão arterial estava em 160 x 90 mmHg e FC de 92 bpm. Tomografia mostrou mesmos achados do ultrassom e aneurisma de 2,0 cm de colo proximal infra-renal e com a informação adicional de não haver extravasamento de contraste da aorta com presença de duas imagens cálcicas de cerca de 4 mm cada uma em pelve renal à direita.Qual a melhor conduta para este caso em referência ao aneurisma de aorta?
AAA < 5.5 cm em homens sem sintomas de ruptura → acompanhamento clínico com USG periódico.
Aneurismas de aorta abdominal fusiformes com diâmetro inferior a 5.5 cm em homens (ou 5.0 cm em mulheres) e assintomáticos geralmente requerem apenas acompanhamento clínico com exames de imagem periódicos. A dor abdominal pode ter outra causa, como os cálculos renais mencionados, e não indica necessariamente ruptura ou expansão do aneurisma nesse tamanho.
O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma dilatação patológica da aorta abdominal, definida por um diâmetro maior que 3.0 cm. É uma condição comum em idosos, especialmente homens tabagistas e com história de aterosclerose, hipertensão e dislipidemia. A importância clínica reside no risco de ruptura, que é uma emergência médica com alta mortalidade, tornando seu diagnóstico e manejo cruciais na prática médica. A fisiopatologia envolve a degeneração da parede aórtica, levando ao enfraquecimento e dilatação progressiva. O diagnóstico é frequentemente incidental, por exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia. A suspeita deve surgir em pacientes idosos com fatores de risco, especialmente se apresentarem dor abdominal ou lombar atípica. A tomografia computadorizada com contraste é o exame padrão-ouro para caracterização do aneurisma e planejamento terapêutico. O tratamento depende do tamanho, morfologia e sintomas do aneurisma. Aneurismas pequenos e assintomáticos (<5.5 cm em homens) são manejados clinicamente com controle de fatores de risco e vigilância por ultrassom. A intervenção (cirurgia aberta ou endovascular) é indicada para aneurismas maiores, sintomáticos ou com crescimento rápido, visando prevenir a ruptura. O prognóstico é bom com o manejo adequado, mas a ruptura é catastrófica.
Em homens, a indicação cirúrgica para aneurisma de aorta abdominal geralmente ocorre quando o diâmetro atinge 5.5 cm ou mais. Em mulheres, o limiar pode ser ligeiramente menor, em torno de 5.0 cm, ou em casos de crescimento rápido (>0.5 cm em 6 meses) ou sintomas de ruptura.
O acompanhamento clínico de um AAA pequeno (<5.5 cm) envolve controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão arterial e dislipidemia, e ultrassonografia abdominal periódica para monitorar o crescimento do aneurisma. A frequência do ultrassom depende do tamanho inicial do aneurisma.
Os sintomas de ruptura de um AAA incluem dor abdominal ou lombar súbita e intensa, que pode irradiar para a virilha ou escroto, hipotensão, taquicardia e massa abdominal pulsátil. É uma emergência médica grave que requer intervenção imediata.
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