TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente em avaliação pré-operatória para cirurgia de correção de aneurisma de aorta abdominal (endovascular com possibilidade de conversão para cirurgia aberta). Qual a alternativa correta sobre a melhor abordagem desse paciente?
Cirurgia vascular = alto risco → Monitorar ECG e troponina no pós-op, mesmo em assintomáticos.
O rastreio de injúria miocárdica (MINS) é essencial em cirurgias de alto risco, pois a maioria dos eventos isquêmicos perioperatórios é silenciosa.
A correção de aneurisma de aorta abdominal (AAA), seja por via aberta ou endovascular (EVAR), é classificada como uma cirurgia de alto risco cardiovascular (>5% de eventos cardíacos em 30 dias). A fisiopatologia do infarto perioperatório envolve tanto o desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio (Tipo 2) quanto a ruptura de placa aterosclerótica (Tipo 1). Devido ao estresse cirúrgico e à resposta inflamatória, a vigilância ativa é necessária. A monitorização com ECG e troponina ultrassensível nas primeiras 48-72 horas é uma recomendação forte das diretrizes da SBC e ESC para pacientes de alto risco. Além disso, o preparo medicamentoso envolve a manutenção de estatinas e antiagregantes, além do controle rigoroso da pressão arterial, evitando-se oscilações hemodinâmicas bruscas que possam comprometer a perfusão coronariana ou a integridade da correção aórtica.
Pacientes submetidos a cirurgias vasculares de grande porte, como a correção de AAA, apresentam alto risco de eventos cardiovasculares devido à natureza da doença aterosclerótica sistêmica. Estudos como o VISION demonstraram que a maioria dos infartos perioperatórios ocorre nas primeiras 48 a 72 horas e é clinicamente silenciosa (sem dor torácica), muitas vezes mascarada pelo uso de analgésicos potentes e sedativos. A elevação isolada da troponina, definida como MINS (Myocardial Injury after Noncardiac Surgery), é um preditor independente de mortalidade em 30 dias. Portanto, a monitorização sistemática com troponina e ECG permite a detecção precoce de isquemia e a implementação de terapias de proteção miocárdica.
Não. A realização de cineangiocoronariografia (cateterismo) de rotina em pacientes assintomáticos, mesmo antes de cirurgias de alto risco como a de AAA, não demonstrou benefício em reduzir eventos cardíacos ou mortalidade, conforme evidenciado pelo estudo CARP. A avaliação pré-operatória deve focar na estratificação de risco clínico (Escore de Lee) e na capacidade funcional. Testes não invasivos, como ecocardiograma de estresse ou cintilografia, são reservados para pacientes com baixa capacidade funcional (< 4 METs) ou múltiplos fatores de risco, e a revascularização coronariana só deve ser considerada se houver indicações clínicas independentes da cirurgia vascular.
As diretrizes atuais recomendam que o Ácido Acetilsalicílico (AAS) seja mantido no perioperatório de cirurgias vasculares, dado o alto risco de eventos trombóticos, a menos que o risco de sangramento cirúrgico seja proibitivo. Quanto aos beta-bloqueadores, a recomendação é mantê-los se o paciente já os utiliza cronicamente. No entanto, o início agudo de beta-bloqueadores em altas doses ou doses de ataque no dia da cirurgia é formalmente contraindicado (baseado no estudo POISE), pois está associado a um aumento do risco de hipotensão severa, bradicardia e acidente vascular cerebral (AVC) perioperatório, apesar de reduzir o risco de infarto.
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