CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2018
Qual a dose máxima sugerida para instilação dos colírios anestésicos?
Dose máxima sugerida de Tetracaína 0,5% = 7 gotas; risco iminente de toxicidade epitelial.
Anestésicos tópicos inibem a regeneração epitelial e são citotóxicos; a tetracaína possui maior potencial de toxicidade comparada à proparacaína, exigindo cautela na dosagem.
O uso de anestésicos tópicos em oftalmologia deve ser estritamente restrito ao ambiente de consultório ou bloco cirúrgico. A farmacodinâmica desses agentes envolve a estabilização da membrana neuronal, impedindo a despolarização. Contudo, o epitélio corneano é extremamente sensível a esses compostos. A literatura estabelece limites de segurança para evitar a ceratotoxicidade: para a proparacaína 0,5%, o limite sugerido é de 30 gotas, enquanto para a tetracaína 0,5%, devido à sua maior potência e toxicidade, o limite é de apenas 7 gotas. O conhecimento desses limites é crucial para residentes durante procedimentos como retirada de corpos estranhos ou exames diagnósticos prolongados.
Os anestésicos locais, como a tetracaína e a proparacaína, agem bloqueando os canais de sódio dependentes de voltagem nos nervos sensoriais. No entanto, eles também inibem a migração, divisão e adesão das células epiteliais corneanas. Além disso, reduzem a taxa de consumo de oxigênio celular e podem causar instabilidade do filme lacrimal. O uso repetido leva à perda de microvilosidades e desintegração dos desmossomos, resultando em defeitos epiteliais persistentes e risco de infecção secundária.
A proparacaína 0,5% é geralmente preferida para procedimentos de rotina (como tonometria) por causar menos ardência inicial e possuir um perfil de toxicidade epitelial ligeiramente menor. A tetracaína 0,5% é um anestésico do tipo éster mais potente, com início de ação rápido, mas é conhecida por causar maior desconforto à instilação e ter um potencial citotóxico mais elevado, o que justifica sua dose máxima sugerida mais restrita (7 gotas vs 30 gotas da proparacaína).
O quadro clínico de abuso de anestésico (ceratopatia por anestésico) mimetiza frequentemente uma ceratite herpética ou acantamoeba. Os sinais incluem dor intensa que só alivia com mais anestésico (ciclo vicioso), defeito epitelial persistente com bordas edemaciadas, infiltrado estromal em anel e edema corneano. Em estágios avançados, pode ocorrer o 'melting' (derretimento) estromal estéril e perfuração ocular, sendo uma emergência oftalmológica que requer interrupção imediata do agente.
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