PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023
Paciente, 20 anos de idade, sexo feminino, sofreu ferimento cortante em mão direita com uma faca, há uma hora. Nega outros traumas. Ao exame físico, bom estado geral, corada, FC: 78bpm, PA: 118x72mmHg, FR: 16imp; apresenta ferimento cortante em palma da mão direita, medindo cerca de 2cm, linear e sem sangramento ativo.Sobre a anestesia local para a síntese desse ferimento, é correto o que se afirma em
Latência curta + duração adequada → Lidocaína é o padrão-ouro para suturas de pequenos ferimentos.
A escolha do anestésico local baseia-se no tempo de início (latência) e duração; a lidocaína possui latência menor que a bupivacaína, sendo ideal para procedimentos rápidos.
O manejo de ferimentos cortantes na emergência exige conhecimento profundo da farmacologia dos anestésicos locais. A lidocaína é amplamente preferida para suturas simples devido ao seu excelente perfil de segurança e rápido início de ação. A bupivacaína, embora mais potente e duradoura, possui maior cardiotoxicidade e latência prolongada, sendo reservada para procedimentos mais extensos ou analgesia pós-operatória. Além da escolha da droga, a técnica de infiltração e o conhecimento das doses máximas (Lidocaína: 5mg/kg sem vaso, 7mg/kg com vaso) são cruciais para evitar complicações. Em áreas de extremidade, como dedos e palma da mão, o uso de vasoconstritores foi historicamente debatido, mas evidências modernas (estudos WALANT) mostram segurança quando bem indicado, embora a questão foque na farmacologia básica.
Os anestésicos locais são bases fracas. Em tecidos inflamados ou infectados, o pH torna-se ácido, o que aumenta a fração ionizada da droga. Como apenas a forma não ionizada atravessa a membrana lipídica do neurônio, a eficácia do anestésico é significativamente reduzida em meios ácidos, exigindo doses maiores ou bloqueios regionais distantes da área inflamada.
A epinefrina promove vasoconstrição local, o que resulta em três benefícios principais: redução do sangramento no campo operatório, aumento da duração do efeito anestésico por manter a droga no local por mais tempo e redução da absorção sistêmica, o que diminui o risco de toxicidade sistêmica (LAST - Local Anesthetic Systemic Toxicity).
O tempo de latência é o intervalo entre a administração e o início do bloqueio nervoso. Ele é determinado principalmente pelo pKa da droga; quanto mais próximo o pKa estiver do pH fisiológico (7,4), maior será a fração não ionizada disponível para penetrar no nervo, resultando em uma latência mais curta. A lidocaína (pKa ~7,9) tem latência menor que a bupivacaína (pKa ~8,1).
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