Uso Seguro de Anestésicos Locais e Vasoconstritores

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Sobre as contraindicações e precauções relacionadas ao uso de anestésicos locais nas diferentes técnicas anestésicas, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A anestesia com lidocaína associada à adrenalina é contraindicada em bloqueios peridurais devido ao risco aumentado de neurotoxicidade.
  2. B) A anestesia tópica com lidocaína a 5% pode ser aplicada em mucosa oral em crianças pequenas, desde que a dose total não ultrapasse 10 mg/kg.
  3. C) A infiltração com lidocaína 1% associada à adrenalina 1:200.000 deve ser evitada em áreas com circulação terminal, como dedos, pênis, nariz e orelhas, devido ao risco de isquemia e necrose.
  4. D) A bupivacaína a 0,5% não deve ser utilizada para bloqueios de nervos periféricos por seu alto risco de toxicidade, sendo restrita à anestesia raquidiana com dose máxima de 5 mg/kg.

Pérola Clínica

Adrenalina + áreas de circulação terminal (dedos, pênis) → Risco de isquemia e necrose.

Resumo-Chave

O uso de vasoconstritores como a adrenalina associados a anestésicos locais visa prolongar o efeito e reduzir sangramentos, mas é classicamente contraindicado em extremidades.

Contexto Educacional

A escolha do anestésico local e o uso de adjuvantes dependem do procedimento, da duração desejada e das comorbidades do paciente. A lidocaína é o padrão-ouro para procedimentos curtos devido ao seu rápido início de ação. A adição de adrenalina prolonga a anestesia e melhora a visualização do campo cirúrgico por reduzir o sangramento. Contudo, o conhecimento das zonas de risco isquêmico é vital para a segurança do paciente. Além disso, o reconhecimento precoce da Síndrome de Toxicidade Sistêmica dos Anestésicos Locais (LAST) é uma competência essencial para qualquer médico que realize procedimentos invasivos.

Perguntas Frequentes

Por que evitar adrenalina em extremidades?

A adrenalina causa vasoconstrição mediada por receptores alfa-adrenérgicos. Em áreas com circulação terminal e pouca circulação colateral, como dedos, pênis, ponta do nariz e pavilhões auriculares, a vasoconstrição intensa pode levar à hipóxia tecidual prolongada, isquemia e, em casos graves, necrose. Embora estudos modernos questionem a rigidez dessa proibição em doses baixas, ela permanece como um dogma de segurança em provas de residência e na prática clínica cautelosa.

Qual a dose máxima de lidocaína com e sem adrenalina?

Para a lidocaína a 1% ou 2% em adultos, a dose máxima recomendada sem vasoconstritor é de aproximadamente 4 a 5 mg/kg (não excedendo 300 mg). Quando associada à adrenalina, a absorção sistêmica é retardada, permitindo aumentar a dose máxima para cerca de 7 mg/kg (não excedendo 500 mg). A ultrapassagem dessas doses aumenta o risco de toxicidade do sistema nervoso central e toxicidade cardiovascular.

Bupivacaína pode ser usada em bloqueios periféricos?

Sim, a bupivacaína é frequentemente utilizada em bloqueios de nervos periféricos devido à sua longa duração de ação. No entanto, ela possui um perfil de cardiotoxicidade mais acentuado que a lidocaína se injetada inadvertidamente no vaso sanguíneo, podendo causar arritmias refratárias. Por isso, a técnica deve ser precisa (preferencialmente guiada por ultrassom) e a dose deve ser rigorosamente calculada, respeitando o limite de 2 mg/kg.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo