FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2021
Sobre os anestésicos locais, considere as afirmativas:I - Podem ser utilizados em qualquer lugar do corpo, independentemente de dose ou presença de vasoconstritor em sua composição.II - Lidocaína e Bupivacaína são amidas.III - Podem estar associados a vasoconstritor, o que pode permitir maior aplicação do mesmo, quando indicado.IV - A sua aplicação em tecidos infectados e com grande quantidade de pus não altera sua eficiência.Estão corretas as alternativas:
Anestésicos locais amida (Lidocaína, Bupivacaína) + vasoconstritor ↑ duração e ↓ toxicidade sistêmica.
Lidocaína e Bupivacaína são anestésicos locais do tipo amida. A associação com vasoconstritores (como epinefrina) prolonga o efeito anestésico e reduz a absorção sistêmica, diminuindo a toxicidade, mas deve ser evitada em áreas com circulação terminal ou em tecidos infectados devido ao pH ácido.
Os anestésicos locais são fármacos que bloqueiam reversivelmente a condução nervosa, impedindo a geração e propagação de impulsos nervosos, resultando em perda de sensibilidade em uma área específica do corpo sem alterar a consciência. Eles são classificados em dois grupos principais: ésteres e amidas, com base em sua estrutura química. Lidocaína e Bupivacaína são exemplos clássicos de anestésicos locais do tipo amida, amplamente utilizados na prática clínica. A afirmativa I está incorreta, pois anestésicos locais não podem ser usados em qualquer lugar do corpo indiscriminadamente, especialmente com vasoconstritores em áreas de circulação terminal (dedos, nariz, pênis, orelhas) devido ao risco de isquemia. A afirmativa II está correta, pois Lidocaína e Bupivacaína são, de fato, anestésicos do tipo amida. A afirmativa III também está correta; a associação com vasoconstritores, como a epinefrina, retarda a absorção sistêmica do anestésico, prolongando sua duração de ação e permitindo o uso de doses totais maiores, além de reduzir a toxicidade sistêmica. A afirmativa IV está incorreta. A aplicação de anestésicos locais em tecidos infectados e com grande quantidade de pus altera significativamente sua eficiência. Isso ocorre porque o pH ácido do tecido infectado ioniza o anestésico local (que é uma base fraca), impedindo que ele penetre na membrana nervosa e exerça seu efeito. Portanto, a anestesia local é menos eficaz ou ineficaz em áreas inflamadas ou infectadas.
Os anestésicos locais são divididos em ésteres (ex: procaína, tetracaína) e amidas (ex: lidocaína, bupivacaína). As amidas são metabolizadas no fígado e têm menor risco de reações alérgicas do que os ésteres, que são metabolizados por pseudocolinesterases plasmáticas.
Vasoconstritores, como a epinefrina, diminuem a absorção sistêmica do anestésico, prolongando sua duração de ação no local e reduzindo o risco de toxicidade sistêmica. Também promovem hemostasia.
Em tecidos infectados, o pH local é mais ácido. Os anestésicos locais são bases fracas e, em um ambiente ácido, a forma ionizada (inativa) predomina, dificultando sua penetração na membrana nervosa e, consequentemente, sua ação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo