CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Quanto às técnicas anestésicas para cirurgia de catarata, podemos afirmar que:
Pacientes anticoagulados → preferir anestesia tópica para evitar hematomas orbitários graves.
A anestesia tópica é a técnica de escolha para pacientes em uso de anticoagulantes, pois elimina o risco de perfuração ocular e hematomas retrobulbares compressivos causados por agulhas.
A evolução da cirurgia de catarata para técnicas de pequena incisão (facoemulsificação) permitiu a transição dos bloqueios orbitários para a anestesia tópica associada ou não à sedação leve. Isso aumentou drasticamente a segurança do procedimento. Para residentes, é fundamental entender que a escolha da técnica anestésica deve ser individualizada. Enquanto a anestesia tópica é excelente para pacientes colaborativos e casos de rotina, bloqueios podem ser necessários em cirurgias complexas ou pacientes que não conseguem manter a fixação ocular. Contudo, em anticoagulados, o esforço deve ser para a técnica tópica.
Pacientes que utilizam anticoagulantes orais (como varfarina ou novos anticoagulantes/NOACs) apresentam um risco significativamente aumentado de hemorragias graves se houver punção acidental de vasos orbitários durante bloqueios com agulha (retrobulbar ou peribulbar). Um hematoma retrobulbar em um paciente anticoagulado pode ser expansivo e levar à síndrome de compartimento orbitário, resultando em perda visual irreversível por isquemia do nervo óptico. A anestesia tópica, por não utilizar agulhas na órbita, elimina esse risco hemorrágico específico, permitindo a cirurgia sem a necessidade de suspender a anticoagulação.
O bloqueio retrobulbar, embora proporcione excelente acinesia e anestesia, está associado a complicações raras mas potencialmente fatais ou cegantes. Entre elas destacam-se: hemorragia retrobulbar, perfuração ou penetração do globo ocular (especialmente em olhos míopes com estafilomas), lesão direta do nervo óptico e a temida injeção intratecal de anestésico local, que pode levar à depressão respiratória e parada cardíaca por ação no tronco cerebral.
Sim, o bloqueio peribulbar é geralmente considerado mais seguro porque a agulha não penetra no cone muscular, ficando no espaço extracônico. Isso reduz a probabilidade de lesão do nervo óptico e da artéria oftálmica. No entanto, ele requer um volume maior de anestésico (geralmente 6-10 mL) e demora mais tempo para atingir a acinesia completa. Apesar de ser mais seguro que o retrobulbar, ainda carrega riscos de hematomas e perfuração ocular, sendo inferior à anestesia tópica em termos de segurança para pacientes de alto risco hemorrágico.
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