Técnicas Anestésicas em Catarata: Indicações e Segurança

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Quanto às técnicas anestésicas para cirurgia de catarata, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) O bloqueio retrobulbar exige injeção de um volume de, pelo menos, 7 mL de anestésico.
  2. B) O bloqueio peribulbar apresenta os maiores índices de complicações, entre os bloqueios locorregionais da órbita.
  3. C) Pacientes dependentes de anticoagulantes orais contínuos devem ser, preferencialmente, submetidos à anestesia tópica.
  4. D) Pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica devem receber anestesia geral.

Pérola Clínica

Pacientes anticoagulados → preferir anestesia tópica para evitar hematomas orbitários graves.

Resumo-Chave

A anestesia tópica é a técnica de escolha para pacientes em uso de anticoagulantes, pois elimina o risco de perfuração ocular e hematomas retrobulbares compressivos causados por agulhas.

Contexto Educacional

A evolução da cirurgia de catarata para técnicas de pequena incisão (facoemulsificação) permitiu a transição dos bloqueios orbitários para a anestesia tópica associada ou não à sedação leve. Isso aumentou drasticamente a segurança do procedimento. Para residentes, é fundamental entender que a escolha da técnica anestésica deve ser individualizada. Enquanto a anestesia tópica é excelente para pacientes colaborativos e casos de rotina, bloqueios podem ser necessários em cirurgias complexas ou pacientes que não conseguem manter a fixação ocular. Contudo, em anticoagulados, o esforço deve ser para a técnica tópica.

Perguntas Frequentes

Por que a anestesia tópica é preferível em pacientes anticoagulados?

Pacientes que utilizam anticoagulantes orais (como varfarina ou novos anticoagulantes/NOACs) apresentam um risco significativamente aumentado de hemorragias graves se houver punção acidental de vasos orbitários durante bloqueios com agulha (retrobulbar ou peribulbar). Um hematoma retrobulbar em um paciente anticoagulado pode ser expansivo e levar à síndrome de compartimento orbitário, resultando em perda visual irreversível por isquemia do nervo óptico. A anestesia tópica, por não utilizar agulhas na órbita, elimina esse risco hemorrágico específico, permitindo a cirurgia sem a necessidade de suspender a anticoagulação.

Quais as principais complicações do bloqueio retrobulbar?

O bloqueio retrobulbar, embora proporcione excelente acinesia e anestesia, está associado a complicações raras mas potencialmente fatais ou cegantes. Entre elas destacam-se: hemorragia retrobulbar, perfuração ou penetração do globo ocular (especialmente em olhos míopes com estafilomas), lesão direta do nervo óptico e a temida injeção intratecal de anestésico local, que pode levar à depressão respiratória e parada cardíaca por ação no tronco cerebral.

O bloqueio peribulbar é mais seguro que o retrobulbar?

Sim, o bloqueio peribulbar é geralmente considerado mais seguro porque a agulha não penetra no cone muscular, ficando no espaço extracônico. Isso reduz a probabilidade de lesão do nervo óptico e da artéria oftálmica. No entanto, ele requer um volume maior de anestésico (geralmente 6-10 mL) e demora mais tempo para atingir a acinesia completa. Apesar de ser mais seguro que o retrobulbar, ainda carrega riscos de hematomas e perfuração ocular, sendo inferior à anestesia tópica em termos de segurança para pacientes de alto risco hemorrágico.

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