Anestesia em Oculoplástica: Farmacologia e Bloqueios

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Assinale a alternativa correta a respeito da anestesia em oculoplástica.

Alternativas

  1. A) O bloqueio locorregional do nervo nasociliar pode ser feito por via transcutânea ou por via intraoral.
  2. B) A lidocaína, quando comparada com outros anestésicos locais, apresenta maior duração da ação anestésica, entretanto devido a maior latência, deve ser aplicada de sete a dez minutos antes do procedimento.
  3. C) O bloqueio locorregional do nervo lacrimal é utilizado em procedimentos das vias lacrimais e anestesia desde a região glabelar até a ponta do nariz.
  4. D) Dentre os anestésicos locais, a bupivacaína apresenta maior potencial de cardiotoxicidade.

Pérola Clínica

Bupivacaína = ↑ duração + ↑ cardiotoxicidade; Lidocaína = ↓ latência + ↓ duração.

Resumo-Chave

A bupivacaína destaca-se pela longa duração de ação, mas possui o maior potencial de cardiotoxicidade entre os anestésicos locais comuns, exigindo cautela em bloqueios orbitários.

Contexto Educacional

A anestesia em oculoplástica exige conhecimento profundo da anatomia orbitária e da farmacologia dos anestésicos locais. Os bloqueios regionais (como o frontal, lacrimal e infratroclear) são fundamentais para procedimentos palpebrais e de vias lacrimais, permitindo cirurgias com o paciente acordado e colaborativo. A escolha do agente deve equilibrar a necessidade de início rápido (latência) com a duração do procedimento. A toxicidade sistêmica dos anestésicos locais (LAST) é uma complicação rara, mas potencialmente fatal. A bupivacaína é o agente mais associado a eventos cardíacos graves devido ao seu bloqueio prolongado dos canais de sódio. O manejo da toxicidade envolve suporte ventilatório e, em casos graves, a administração de emulsão lipídica intravenosa para 'sequestrar' o anestésico lipofílico da circulação.

Perguntas Frequentes

Por que a bupivacaína é considerada mais cardiotóxica?

A bupivacaína possui uma alta afinidade pelos canais de sódio cardíacos e se dissocia deles muito mais lentamente durante a diástole em comparação com a lidocaína. Isso pode levar a arritmias graves, depressão miocárdica e colapso cardiovascular que é particularmente resistente à ressuscitação convencional. Em procedimentos de oculoplástica e oftalmológicos, a absorção sistêmica ou a injeção intravascular inadvertida em uma região altamente vascularizada como a órbita aumenta esse risco, exigindo monitoramento e técnica precisa.

Qual a principal diferença clínica entre lidocaína e bupivacaína?

A principal diferença reside no binômio latência versus duração. A lidocaína tem baixa latência (início de ação rápido, em torno de 2 a 5 minutos) e duração curta a intermediária (30 a 60 minutos sem vasoconritor). Já a bupivacaína tem alta latência (início mais lento, 5 a 10 minutos) e longa duração (até 4 a 8 horas). Na prática oftalmológica, é comum a mistura de ambas para obter o benefício do início rápido da lidocaína com a analgesia prolongada da bupivacaína.

Como é feita a anestesia do nervo nasociliar?

O bloqueio do nervo nasociliar é geralmente realizado por via transcutânea através da parede medial da órbita, próximo ao forame etmoidal anterior. Ele fornece anestesia para a ponta do nariz, a conjuntiva bulbar e a esclera. Diferente do sugerido em algumas questões, a via intraoral não é utilizada para o bloqueio específico deste nervo em procedimentos oculoplásticos, sendo reservada para bloqueios de nervos como o infraorbitário em odontologia ou cirurgia bucomaxilofacial.

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