UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Paciente de 45 anos, sexo masculino, sem comorbidades, apresentou abscesso em punho após internação prolongada, no qual foram feitos muitos acessos venosos periféricos em tal topografia. Para drenagem do abscesso, realizou-se anestesia local com lidocaína a 1%. Após cerca de uma hora da administração do anestésico local, o paciente queixou-se de dor no local da drenagem.Considerando o caso apresentado, assinale a opção que apresente a explicação mais provável para a ocorrência de dor.
Inflamação tecidual ↓ pH local → ↓ forma não ionizada do anestésico → ↓ eficácia e duração da lidocaína.
Em tecidos inflamados, o pH local é mais ácido. Anestésicos locais como a lidocaína atuam melhor em sua forma não ionizada, que consegue atravessar a membrana neural. O ambiente ácido reduz a proporção da forma não ionizada, diminuindo a penetração e, consequentemente, a eficácia e duração do bloqueio.
A anestesia local é uma técnica fundamental na prática médica, especialmente para procedimentos menores como a drenagem de abscessos. A lidocaína é um dos anestésicos locais mais utilizados devido ao seu rápido início de ação e perfil de segurança. No entanto, sua eficácia pode ser comprometida em certas condições, como a presença de inflamação ou infecção no local da aplicação. A fisiopatologia por trás da redução da eficácia da lidocaína em tecidos inflamados reside na alteração do pH local. O tecido inflamado ou infeccionado apresenta um ambiente mais ácido (pH mais baixo) devido à produção de metabólitos ácidos. Anestésicos locais são bases fracas e atuam principalmente em sua forma não ionizada, que é lipossolúvel e capaz de atravessar as membranas celulares dos nervos para bloquear os canais de sódio. Em um ambiente ácido, a proporção da forma ionizada aumenta significativamente, diminuindo a quantidade de fármaco disponível para penetrar nas células nervosas, o que resulta em um bloqueio menos eficaz e de menor duração. Para otimizar a anestesia em cenários de inflamação, é crucial entender esses princípios farmacológicos. Estratégias incluem a infiltração do anestésico em áreas adjacentes menos inflamadas, a utilização de volumes maiores do fármaco, ou a consideração de bloqueios nervosos regionais mais proximais ao foco da infecção. A compreensão da interação entre o anestésico local e o ambiente tecidual é essencial para garantir o conforto do paciente e o sucesso do procedimento, sendo um ponto crítico para residentes.
A inflamação reduz o pH local, tornando o ambiente mais ácido. Anestésicos locais como a lidocaína precisam estar em sua forma não ionizada para penetrar nas membranas neurais, e o pH ácido aumenta a proporção da forma ionizada, dificultando a ação.
Pode-se tentar infiltrar o anestésico em áreas adjacentes não inflamadas, usar maior volume de anestésico, ou considerar técnicas de bloqueio regional mais distais ao foco inflamatório.
O pKa influencia a proporção de formas ionizada e não ionizada do anestésico no pH fisiológico. Anestésicos com pKa mais próximo do pH fisiológico têm mais forma não ionizada, com início de ação mais rápido, mas a duração é mais influenciada pela ligação proteica e metabolismo.
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