Fitoterápicos e Anestesia: Riscos e Manejo Pré-Operatório

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

O anestesiologista deve questionar especificamente o paciente sobre cirurgias anteriores, tipo de anestesia e quaisquer complicações. História familiar de resposta adversa a anestésicos e história social de tabagismo, uso de drogas e consumo de álcool também são importantes. Finalmente, deve-se documentar uma ampla revisão dos medicamentos atualmente em uso. O emprego de ervas medicinais pelo paciente pode levar a reações adversas com alguns anestésicos, tais como:

Alternativas

  1. A) Erva-de-são-joão - acentua a depressão por estimular a recaptação de serotonina; deve-se interromper 24 horas antes da cirurgia.
  2. B) Kava - diminui a ansiedade por efeitos hipnóticos mediados por dopamina; possível risco de abstinência aguda - interromper 7 dias antes da cirurgia.
  3. C) Ginseng - hiperglicemia; ativação da agregação plaquetária e da cascata de coagulação; interromper pelo menos 24 horas antes da cirurgia.
  4. D) Alho - aumento da pressão arterial e os níveis de colesterol e ativação da agregação plaquetária (irreversível); interromper pelo menos 48 horas antes da cirurgia.
  5. E) Ginkgo Biloba - Inibição do fator de ativação plaquetária; deve-se interromper seu uso pelo menos 36 horas antes da cirurgia.

Pérola Clínica

Ginkgo Biloba inibe fator ativação plaquetária → ↑ risco sangramento → interromper 36h antes cirurgia.

Resumo-Chave

A anamnese pré-anestésica deve incluir o uso de fitoterápicos, pois muitos podem interagir com anestésicos ou afetar a coagulação, como o Ginkgo Biloba que inibe a agregação plaquetária, aumentando o risco de sangramento perioperatório.

Contexto Educacional

A avaliação pré-anestésica é um momento crucial para identificar fatores de risco e otimizar o paciente para a cirurgia. Um aspecto frequentemente negligenciado é o uso de fitoterápicos e ervas medicinais, que podem ter efeitos farmacológicos significativos e interagir com anestésicos ou afetar sistemas fisiológicos importantes. Fitoterápicos como Ginkgo Biloba, Ginseng, Alho, Erva-de-são-joão e Kava possuem propriedades que podem impactar a coagulação, o sistema cardiovascular e o sistema nervoso central. O Ginkgo Biloba, por exemplo, é um conhecido inibidor da agregação plaquetária, aumentando o risco de sangramento. Outros podem prolongar a sedação ou causar instabilidade hemodinâmica. É imperativo que o anestesiologista questione ativamente sobre o uso dessas substâncias e oriente o paciente sobre a necessidade de sua suspensão com antecedência adequada, geralmente dias antes do procedimento, para garantir a segurança perioperatória e evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais riscos de fitoterápicos na anestesia?

Fitoterápicos podem causar interações com anestésicos, afetar a coagulação (aumentando o risco de sangramento), alterar a pressão arterial, ou prolongar os efeitos sedativos, exigindo suspensão pré-operatória para evitar complicações.

Por que o Ginkgo Biloba deve ser interrompido antes da cirurgia?

O Ginkgo Biloba inibe o fator de ativação plaquetária, o que pode aumentar o risco de sangramento intra e pós-operatório. Recomenda-se a interrupção de seu uso pelo menos 36 horas antes da cirurgia para minimizar esse risco.

Quais outros fitoterápicos comuns interagem com anestésicos?

Erva-de-são-joão (interfere com serotonina), Kava (efeitos sedativos, risco de abstinência), Ginseng (hipoglicemia, antiagregante), e Alho (antiagregante) são exemplos que exigem atenção e suspensão pré-operatória devido aos seus potenciais efeitos adversos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo