Anestesia Digital: Por Que Evitar Epinefrina em Dedos

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um paciente com ferimento corto-contuso no dedo indicador e no médio da mão direita, com sangramento ativo. Para a realização desta sutura, você solicita um anestésico local para a infiltração troncular. A técnica de enfermagem que está na sala de sutura informa sobre a disponibilidade de lidocaína, com e sem epinefrina, e bupivacaína, com e sem epinefrina. Dentre as alternativas abaixo, qual está correta sobre o uso de anestésicos locais?

Alternativas

  1. A) A dose do anestésico local com epinefrina é menor que a dose do mesmo anestésico sem epinefrina, pelo risco de intoxicação pelo vasoconstritor.
  2. B) A bupivacaína é preferencialmente indicada, comparada à lidocaína, apesar de causar mais a retenção urinária aguda.
  3. C) A dose de bupivacaína que pode ser utilizada neste caso é de 10 a 15 mg/kg, dependendo da adição de epinefrina, nos pacientes diabéticos.
  4. D) A dose de lidocaína que pode ser utilizada neste caso varia de 7 a 10 mg/kg, dependendo da adição de epinefrina, nos pacientes com insuficiência renal crônica dialítica.
  5. E) Independentemente da sua preferência, não devemos utilizar a associação do vasoconstritor nesta situação.

Pérola Clínica

Anestesia troncular digital → NUNCA usar anestésico com vasoconstritor (epinefrina) pelo risco de isquemia.

Resumo-Chave

A epinefrina, um vasoconstritor, é contraindicada para anestesia troncular em extremidades (dedos, nariz, orelhas, pênis) devido ao risco de isquemia e necrose tecidual. A vasoconstrição prolongada pode comprometer o fluxo sanguíneo em áreas com circulação colateral limitada.

Contexto Educacional

A anestesia local é um procedimento comum em diversas especialidades, especialmente em cirurgias menores e reparos de ferimentos. A escolha do anestésico e a presença de vasoconstritores, como a epinefrina, são decisões cruciais que impactam a segurança do paciente. A epinefrina prolonga a duração da anestesia e reduz o sangramento local, mas seu uso deve ser criterioso. A fisiopatologia da contraindicação da epinefrina em extremidades reside na sua ação vasoconstritora. Em regiões com circulação terminal e poucas anastomoses colaterais, como os dedos, a vasoconstrição prolongada pode levar a uma redução crítica do fluxo sanguíneo, resultando em isquemia tecidual e, em casos graves, necrose. Portanto, a segurança do paciente deve sempre prevalecer sobre a conveniência de um efeito prolongado ou menor sangramento. Para procedimentos em dedos, a conduta correta é utilizar anestésicos locais sem epinefrina, como lidocaína 1% ou bupivacaína 0,25% simples. A técnica de bloqueio troncular digital é eficaz para esses casos. É fundamental que o profissional de saúde esteja ciente dessas contraindicações para evitar complicações graves e irreversíveis, garantindo a segurança e o bem-estar do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a epinefrina é contraindicada para anestesia em dedos?

A epinefrina é um potente vasoconstritor que, quando usada em extremidades com circulação colateral limitada como os dedos, pode causar isquemia prolongada e necrose tecidual devido à redução crítica do fluxo sanguíneo.

Quais são as alternativas seguras para anestesia digital?

Para anestesia digital, deve-se utilizar anestésicos locais sem vasoconstritor, como lidocaína 1% ou bupivacaína 0,25% simples. A técnica de bloqueio troncular digital é eficaz e segura com essas formulações.

Quais outras áreas do corpo têm contraindicação para anestésicos com epinefrina?

Além dos dedos, a epinefrina é contraindicada para anestesia em outras extremidades e áreas com circulação terminal, como nariz, orelhas e pênis, pelo mesmo risco de isquemia e necrose tecidual.

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