SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Uma paciente de 38 anos foi internada no plantão noturno para realizar cirurgia no dia seguinte. Na checagem de rotina dos exames pré-operatórios, a enfermeira do setor acionou o plantonista da cirurgia, pois a dosagem de hemoglobina da paciente era de 7,6 g/dl. Na avaliação médica, constatou-se que a paciente estava assintomática, não tinha comorbidades, não fazia uso de medicações regulares, a frequência cardíaca era de 88 bpm/minuto, a pressão arterial era de 110x 70 mmhg e iria ser submetida a uma histerectomia em decorrência de miomatose uterina associada a hipermenorreia. A prescrição deixada pela equipe assistente, constava apenas de jejum, aferição de dados vitais e medicações sintomáticas. Qual deve ser a conduta do plantonista?
Anemia crônica assintomática (Hb > 7 g/dL) em paciente estável pré-cirurgia eletiva → otimização e não transfusão imediata.
Pacientes com anemia crônica, mesmo com Hb em torno de 7-8 g/dL, que estão assintomáticos e hemodinamicamente estáveis, geralmente toleram bem cirurgias eletivas. A transfusão de hemácias deve ser evitada se não houver sinais de hipóxia tecidual ou instabilidade, pois possui riscos inerentes.
A anemia é uma condição comum no período pré-operatório e sua presença pode estar associada a um aumento do risco de complicações pós-operatórias, incluindo morbimortalidade cardiovascular e infecciosa. No entanto, a decisão de transfundir concentrado de hemácias deve ser individualizada, considerando a causa da anemia, a cronicidade, a presença de sintomas, a estabilidade hemodinâmica do paciente e o tipo de cirurgia a ser realizada. Neste caso, a paciente apresenta anemia crônica (provavelmente por deficiência de ferro devido à hipermenorreia), está assintomática, hemodinamicamente estável e com uma hemoglobina de 7,6 g/dL, que está acima do limiar de 7 g/dL geralmente aceito para transfusão em pacientes estáveis sem comorbidades significativas. A transfusão de hemácias não é isenta de riscos e deve ser evitada quando não há indicação clara. A conduta mais adequada é manter a prescrição da equipe assistente, que inclui jejum e monitorização, e proceder com a cirurgia conforme planejado. A suplementação de ferro (oral ou endovenoso) ou eritropoietina seriam medidas para otimização da anemia, mas não são urgentes para o dia seguinte e não justificam o adiamento da cirurgia em uma paciente estável. A transfusão seria considerada se a paciente apresentasse sintomas de hipóxia tecidual, instabilidade hemodinâmica ou se a hemoglobina fosse significativamente menor.
Em pacientes assintomáticos e hemodinamicamente estáveis, o limiar para transfusão pré-operatória é geralmente de Hb < 7 g/dL, ou < 8 g/dL em pacientes com comorbidades cardiovasculares ou risco de sangramento significativo.
Os riscos incluem reações transfusionais (alérgicas, febris não hemolíticas, hemolíticas), sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), lesão pulmonar aguda associada à transfusão (TRALI) e infecções.
A otimização envolve a investigação da causa da anemia (geralmente deficiência de ferro) e a suplementação com ferro oral ou endovenoso, se houver tempo hábil. A eritropoietina pode ser considerada em casos selecionados de anemia por doença crônica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo