Gastrectomia Total: Prevenção de Anemia e Deficiências

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 68 anos, internado, com diagnóstico de abdômen agudo por úlcera gástrica perfurada, com necessidade de realização de gastrectomia total. Após alta, quais os cuidados que devem ser tomados em relação ao risco de anemia neste paciente?

Alternativas

  1. A) Paciente com risco de anemia, por deficiência de ácido fólico; deve ser feita, de imediato, a reposição endovenosa, devido estoque baixo dessa vitamina.
  2. B) Há risco de ferropenia, que pode ser precoce, devido sangramento, e também de deficiência de vitamina B12 a longo prazo.
  3. C) Há risco de deficiência de vitamina B12 precoce e a reposição da vitamina deve ser iniciada.
  4. D) Se dieta for adequada, não haverá qualquer necessidade de monitoramento de deficiências e anemia.
  5. E) Deve ser iniciada, e mantida por toda a vida, reposição de polivitamínico, via oral.

Pérola Clínica

Gastrectomia total → risco de ferropenia (precoce) e deficiência B12 (tardia) devido à ausência de fator intrínseco.

Resumo-Chave

Pacientes submetidos à gastrectomia total perdem a capacidade de produzir fator intrínseco, essencial para a absorção de vitamina B12, levando à deficiência a longo prazo. Além disso, a alteração do trânsito e a acloridria podem prejudicar a absorção de ferro, causando ferropenia, que pode ser precoce devido a sangramentos ou má absorção.

Contexto Educacional

A gastrectomia total é um procedimento cirúrgico maior, frequentemente realizado para o tratamento de câncer gástrico ou úlcera perfurada refratária. Embora seja curativa para a condição primária, acarreta importantes consequências nutricionais a longo prazo, sendo a anemia uma das mais proeminentes. A compreensão dessas deficiências é crucial para o acompanhamento pós-operatório. A principal causa da anemia pós-gastrectomia é a deficiência de vitamina B12 e de ferro. A remoção do estômago elimina a produção do fator intrínseco, essencial para a absorção de B12, resultando em anemia megaloblástica que se manifesta tardiamente devido aos estoques hepáticos. A ferropenia, por sua vez, pode ser precoce, decorrente de sangramentos ou da má absorção de ferro devido à acloridria e ao desvio do duodeno, onde a absorção de ferro é otimizada. Portanto, o manejo pós-operatório desses pacientes deve incluir monitoramento rigoroso dos níveis de hemoglobina, B12 e ferro, e suplementação profilática e terapêutica. A reposição de vitamina B12 é parenteral (intramuscular) e contínua, enquanto a suplementação de ferro pode ser oral ou endovenosa, conforme a necessidade. Uma dieta adequada é importante, mas não substitui a suplementação devido aos mecanismos fisiopatológicos alterados.

Perguntas Frequentes

Por que a gastrectomia total causa deficiência de vitamina B12?

A gastrectomia total remove as células parietais do estômago, que são responsáveis pela produção do fator intrínseco. Este fator é essencial para a absorção da vitamina B12 no íleo terminal, levando à deficiência a longo prazo.

Qual o principal mecanismo da ferropenia após gastrectomia?

A ferropenia pode ocorrer devido à má absorção de ferro, que é facilitada pelo ambiente ácido do estômago. A gastrectomia total leva à acloridria, prejudicando a conversão do ferro férrico em ferro ferroso, mais absorvível. Sangramentos pós-operatórios também podem contribuir.

Quando se manifesta a deficiência de B12 e ferro após gastrectomia?

A deficiência de ferro pode ser precoce, devido a sangramentos ou má absorção. A deficiência de vitamina B12 é tardia, geralmente manifestando-se anos após a cirurgia, devido aos grandes estoques corporais da vitamina.

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