FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
A. V. G., 38 anos, tem diagnostico de doença inflamatória pélvica (DIP). Procura atendimento, queixando-se de cansaço fácil. Dentre os exames: hemoglobina: 9,1; VCM (volume corpuscular médio): baixo; ferritina: normal; reticulócitos: normal; capacidade de ligação total do ferro: baixa; saturação de transferrina: baixa. Refere que, há 6 meses, vem fazendo uso de sulfato ferroso. Qual é o diagnóstico mais provável para esse quadro?
DIP + Anemia microcítica + Ferritina normal + CTLF/Sat. Transferrina ↓ → Anemia por Doença Crônica.
A anemia por doença crônica, comum em quadros inflamatórios como a DIP, cursa com ferritina normal ou elevada (por ser reagente de fase aguda), VCM baixo ou normal, e baixa capacidade de ligação do ferro e saturação de transferrina, diferenciando-se da anemia ferropriva.
A anemia por doença crônica (ADC) é a segunda causa mais comum de anemia, superada apenas pela anemia ferropriva. É frequentemente observada em pacientes com condições inflamatórias crônicas, infecções crônicas, doenças autoimunes e neoplasias, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP). Sua fisiopatologia envolve a inflamação sistêmica, que leva à produção de citocinas como IL-6, que por sua vez estimula a produção de hepcidina. A hepcidina é um hormônio que regula o metabolismo do ferro, bloqueando a liberação de ferro dos macrófagos e enterócitos, e diminuindo a absorção intestinal de ferro. Isso resulta em ferro sérico baixo, baixa saturação de transferrina e baixa capacidade total de ligação do ferro (CTLF), apesar de estoques de ferro adequados ou até aumentados (ferritina normal ou alta). Morfologicamente, a ADC é geralmente normocítica e normocrômica, mas pode ser microcítica e hipocrômica em casos prolongados. O diagnóstico diferencial com a anemia ferropriva é crucial, pois o tratamento é distinto. Enquanto a anemia ferropriva responde à suplementação de ferro, a ADC requer o manejo da doença subjacente. A compreensão desses mecanismos é vital para o residente, permitindo uma abordagem diagnóstica e terapêutica correta e evitando tratamentos desnecessários ou ineficazes.
A anemia por doença crônica é caracterizada por hemoglobina baixa, VCM geralmente normal ou baixo, ferritina normal ou elevada (devido à inflamação), capacidade total de ligação do ferro (CTLF) baixa e saturação de transferrina baixa.
A principal diferença laboratorial é a ferritina: normal ou alta na anemia por doença crônica e baixa na anemia ferropriva. Além disso, na ferropriva, a CTLF é alta, enquanto na doença crônica é baixa.
Na anemia por doença crônica, o problema não é a falta de ferro, mas sim a dificuldade de mobilização e utilização do ferro armazenado, mediada por citocinas inflamatórias e hepcidina. A suplementação de ferro, portanto, não corrige a causa subjacente.
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