Anemia Perniciosa: Fisiopatologia e Marcadores Diagnósticos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

Homem de 75 anos com anemia macrocítica associada à deficiência de vitamina B12 é atendido no Centro de Saúde com pesquisa de anticorpo sérico anti-célula parietal positivo e endoscopia digestiva alta evidenciando gastrite atrófica de corpo e fundo gástrico. Assinale a alteração, dentre as abaixo, que NÃO deve ser encontrada neste caso:

Alternativas

  1. A) Acloridria.
  2. B) Anticorpo anti- fator intrínseco positivo.
  3. C) Hipergastrinemia.
  4. D) Pepsinogênio sérico I aumentado.

Pérola Clínica

Anemia perniciosa: gastrite atrófica autoimune → acloridria, hipergastrinemia, anti-célula parietal/fator intrínseco +, pepsinogênio I ↓.

Resumo-Chave

A anemia perniciosa é uma gastrite atrófica autoimune que destrói células parietais e principais. Isso leva à acloridria e consequente hipergastrinemia, além de reduzir a produção de fator intrínseco e pepsinogênio I, resultando em deficiência de B12.

Contexto Educacional

A anemia perniciosa é uma causa autoimune de gastrite atrófica, que leva à deficiência de vitamina B12 e anemia macrocítica. É mais comum em idosos e pode ter um componente genético. A importância clínica reside não apenas na anemia, mas também nas manifestações neurológicas da deficiência de B12 e no risco aumentado de câncer gástrico. A fisiopatologia central envolve a destruição autoimune das células parietais do corpo e fundo gástrico. Essas células são responsáveis pela produção de ácido clorídrico (HCl) e fator intrínseco. A ausência de fator intrínseco impede a absorção de vitamina B12 no íleo terminal. A destruição das células parietais também leva à acloridria, que por sua vez causa hipergastrinemia compensatória. Além disso, as células principais, que produzem pepsinogênio I, também são afetadas pela atrofia, resultando em níveis séricos reduzidos de pepsinogênio I. O tratamento consiste na reposição parenteral de vitamina B12 por toda a vida. O diagnóstico precoce é crucial para prevenir complicações neurológicas irreversíveis. A monitorização regular para o desenvolvimento de neoplasias gástricas é recomendada devido ao risco aumentado associado à gastrite atrófica crônica. A compreensão desses mecanismos é vital para residentes no manejo de pacientes com anemia macrocítica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores laboratoriais da anemia perniciosa?

Os principais marcadores incluem anemia macrocítica, deficiência de vitamina B12, níveis elevados de homocisteína e ácido metilmalônico, e a presença de anticorpos anti-célula parietal e/ou anti-fator intrínseco.

Por que ocorre hipergastrinemia na anemia perniciosa?

A hipergastrinemia é uma consequência da acloridria (ausência de ácido clorídrico) causada pela destruição das células parietais. A ausência de ácido gástrico remove o feedback negativo sobre as células G do antro, que então aumentam a produção de gastrina.

Qual a relação entre pepsinogênio sérico I e gastrite atrófica?

O pepsinogênio sérico I é produzido pelas células principais do corpo e fundo gástrico. Na gastrite atrófica, há destruição dessas células, resultando em níveis diminuídos de pepsinogênio sérico I, que é um marcador de atrofia gástrica.

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