Anemia Perniciosa: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 80 anos foi admitida com história de um ano de parestesias em membros inferiores, queda do estado geral e piora cognitiva progressiva. A um mês da internação parou de deambular e evoluiu com disfagia orofaríngea. Ao exame neurológico evidenciou-se déficit de sensibilidade em membros inferiores, incoordenação motora, Babinski bilateral, paraparesia crural e desorientação têmporo-espacial. Exames laboratoriais: Hb: 8,4 g/dl, VCM: 110 fl, Plaquetas: 90.000, Leucócitos 2000, hipersegmentação de neutrófilos, TSH normal, tomografia de crânio normal. Qual seria o principal diagnostico da paciente, exames que deveríamos solicitar e o tratamento?

Alternativas

  1. A) Demência de Lewy, tomografia por emissão de pósitron (PET), inibidores da colinesterase e antiparkinsoniano.
  2. B) Anemia perniciosa, vitamina B12 e anticorpos anti-células parietais ou fator-intrínseco, reposição de vitamina B12.
  3. C) Doença de Creutzfeldt-Jakob, análise de liquor (proteína neuronal - 14.3.3), doxiciclina.
  4. D) Mieloma múltiplo, dosagem de imunoglobulina monoclonal e mielograma, quimioterapia.

Pérola Clínica

Idosa com pancitopenia, VCM alto, hipersegmentação de neutrófilos e sintomas neuropsiquiátricos → Anemia perniciosa por deficiência de B12.

Resumo-Chave

A anemia perniciosa é uma causa autoimune de deficiência de vitamina B12, levando a anemia megaloblástica e graves manifestações neurológicas e psiquiátricas. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de B12 e anticorpos específicos, e o tratamento é a reposição parenteral de B12.

Contexto Educacional

A anemia perniciosa é uma doença autoimune caracterizada pela gastrite atrófica crônica, que resulta na destruição das células parietais do estômago e, consequentemente, na deficiência de fator intrínseco. O fator intrínseco é essencial para a absorção da vitamina B12 (cobalamina) no íleo terminal. Sem ele, a absorção de B12 é severamente comprometida, levando a uma deficiência progressiva. É mais comum em idosos e pode ter um componente genético. A deficiência de vitamina B12 afeta a síntese de DNA, resultando em anemia megaloblástica, caracterizada por hemácias grandes (VCM elevado) e imaturas, além de pancitopenia e hipersegmentação de neutrófilos. Além das manifestações hematológicas, a B12 é crucial para a manutenção da bainha de mielina e a função neuronal, levando a uma ampla gama de sintomas neurológicos e psiquiátricos, como parestesias, fraqueza, ataxia, mielopatia, demência e depressão. O diagnóstico é feito pela dosagem de B12 sérica, hemograma completo e pesquisa de anticorpos anti-células parietais e anti-fator intrínseco. O tratamento é a reposição de vitamina B12, geralmente por via intramuscular, devido à má absorção. A reposição deve ser contínua e por toda a vida, e a resposta clínica e laboratorial deve ser monitorada. A melhora dos sintomas neurológicos pode ser lenta e, em alguns casos, incompleta.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais sugestivos de anemia perniciosa?

Os achados incluem anemia macrocítica (VCM elevado), pancitopenia (leucopenia, trombocitopenia), e a presença de hipersegmentação de neutrófilos no esfregaço de sangue periférico. A dosagem de vitamina B12 sérica estará baixa.

Quais são as manifestações neurológicas da deficiência de vitamina B12?

As manifestações neurológicas são diversas e progressivas, incluindo parestesias, fraqueza, ataxia, incoordenação motora, Babinski bilateral, mielopatia (degeneração combinada subaguda da medula espinhal) e disfunção cognitiva (demência).

Como é feito o diagnóstico confirmatório da anemia perniciosa?

O diagnóstico é confirmado pela dosagem de vitamina B12 sérica baixa e pela pesquisa de autoanticorpos, como anticorpos anti-células parietais gástricas e, mais especificamente, anticorpos anti-fator intrínseco.

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