IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Menina de 4 anos de idade está em acompanhamento por apneia obstrutiva do sono. Foi diagnosticada com hipertrofia de adenoide, com obstrução de 80% da via aérea. Dadas as repercussões clínicas, foi indicada adenoidectomia e foram solicitados exames pré-operatórios, com os seguintes resultados: Hb 11,2g/dL, Ht 33,4%, VCM 62fL, HCM 23pg, RDW 16%, leucócitos 6.540 células/mm³ com diferencial normal, plaquetas 189.000/mm³. Tem peso atual de 18kg. Foi iniciada reposição de ferro em dose adequada e realizados novos exames, que foram coletados após 5 semanas de início do tratamento: Hb 10,9g/dL, Ht 32,6%, VCM 71fL, HCM 22pg, RDW 15,3%. A família garante que fez uso adequado da medicação. Assinale a alternativa com a conduta a ser tomada agora:
Anemia microcítica refratária ao ferro oral → Investigar outras etiologias (ex: talassemia, doença celíaca) antes de mudar via.
A persistência de anemia microcítica, mesmo após 5 semanas de suplementação oral de ferro em dose adequada e aderência garantida, sugere que a etiologia pode não ser puramente ferropriva ou que há má absorção. É crucial reavaliar a cinética do ferro para confirmar o diagnóstico e considerar diferenciais como talassemias.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais comum em crianças, especialmente em idade pré-escolar, e a principal causa de anemia microcítica. Seu diagnóstico é frequentemente presumido com base em hemograma que mostra VCM e HCM baixos, RDW elevado e resposta ao ferro oral. No entanto, é crucial estar atento a casos de falha terapêutica, que podem indicar uma etiologia diferente ou problemas na absorção ou adesão ao tratamento. A investigação de uma anemia microcítica que não responde ao ferro oral deve ser sistemática. Inicialmente, deve-se reavaliar a adesão ao tratamento e a dose do ferro. Se a adesão for confirmada, a próxima etapa é aprofundar a investigação diagnóstica, incluindo a cinética do ferro para confirmar a deficiência. Valores normais de ferritina e saturação de transferrina em um paciente com anemia microcítica sugerem outras causas, como as talassemias, que são hemoglobinopatias genéticas caracterizadas por síntese reduzida de cadeias de globina. O tratamento da anemia ferropriva é a suplementação de ferro oral, que deve ser mantida por pelo menos 3 meses após a normalização da hemoglobina para repor os estoques. Em casos de falha terapêutica, antes de considerar o ferro endovenoso, é imperativo descartar outras causas de anemia microcítica ou condições que afetam a absorção de ferro, como doença celíaca ou sangramento crônico oculto. A abordagem correta evita tratamentos desnecessários e garante o diagnóstico preciso.
Os principais diferenciais incluem anemia ferropriva, talassemias (alfa e beta), anemia de doença crônica (em fases iniciais) e, menos comum, intoxicação por chumbo. A avaliação do VCM, HCM e RDW, junto à cinética do ferro, ajuda a distinguir.
A falha é suspeitada quando não há aumento da hemoglobina em 1-2 g/dL após 4-6 semanas de tratamento com dose adequada, ou quando os parâmetros microcíticos não melhoram. A adesão e a absorção devem ser verificadas.
A cinética do ferro (ferro sérico, ferritina, saturação de transferrina, capacidade total de ligação do ferro) é fundamental para confirmar ou excluir a deficiência de ferro como causa da anemia e direcionar a investigação para outras etiologias.
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