Anemia Microcítica Hipocrômica: Diagnóstico e Talassemia

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 4 anos, com história de anemia não responsiva ao sulfato ferroso na dose de 5mg/kg/dia, administrado durante seis meses, meia hora antes das refeições com suco de frutas cítricas. Antecedentes pessoais sem intercorrências. A mãe teve anemia na infância e fez vários tratamentos. História nutricional: leite materno exclusivo até o sexto mês de vida. Atualmente come arroz, feijão, frutas, carne (quatro vezes por semana) e leite integral (três vezes ao dia). Exame físico: paciente pálido, sem outras alterações. Hemograma: Hm: 6.000.000/mm³; Hb: 10,2g/dL; Ht: 30%; VCM: 50fL; HCM: 16pg; CHCM: 22%; RDW: 12%; morfologia da série vermelha: hipocromia e microcitose; leucometria: 7.600/mm³ (eos: 2%, basófilos: 0%, bastões: 2%, seg 36%, linf:58%, mon: 2%) e plaquetas: 300.000/mm³; reticulócitos: 1,5%. Para confirmar a hipótese diagnóstica mais provável, o exame a ser solicitado é:

Alternativas

  1. A) Ferritina.
  2. B) Mielograma.
  3. C) Eletroforese de hemoglobina.
  4. D) Curva de fragilidade osmótica.
  5. E) Índice de saturação de transferrina.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica com RDW normal e não responsiva a ferro → suspeitar de talassemia.

Resumo-Chave

A anemia microcítica e hipocrômica, especialmente quando não responsiva à suplementação de ferro e com RDW normal, sugere fortemente uma hemoglobinopatia, como a talassemia. Nesses casos, a eletroforese de hemoglobina é o exame chave para identificar as variantes de hemoglobina e confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A anemia microcítica hipocrômica é uma condição comum na pediatria, sendo a anemia ferropriva a causa mais frequente. No entanto, quando a anemia não responde ao tratamento adequado com sulfato ferroso por um período prolongado (geralmente 3-6 meses), é imperativo investigar outras etiologias. As talassemias, um grupo de hemoglobinopatias hereditárias, são uma causa importante de anemia microcítica hipocrômica refratária ao ferro. O hemograma fornece pistas valiosas: VCM e HCM muito baixos, CHCM reduzido e, crucialmente, um RDW (red cell distribution width) normal ou apenas discretamente elevado, são achados que diferenciam as talassemias da anemia ferropriva típica, onde o RDW costuma estar elevado. A história familiar de anemia também é um dado relevante. A fisiopatologia da talassemia envolve a síntese reduzida ou ausente de uma ou mais cadeias de globina, levando à formação de hemácias menores e com menos hemoglobina. Para confirmar a hipótese diagnóstica de talassemia, a eletroforese de hemoglobina é o exame de escolha. Ela permite identificar e quantificar as frações de hemoglobina, revelando, por exemplo, um aumento da HbA2 na beta-talassemia menor ou a presença de HbF em outras formas. O tratamento da talassemia é complexo e depende do tipo e gravidade, podendo variar de acompanhamento clínico a transfusões sanguíneas e transplante de medula óssea em casos graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indicadores laboratoriais de anemia microcítica hipocrômica?

Os principais indicadores são VCM (volume corpuscular médio) abaixo de 80 fL, HCM (hemoglobina corpuscular média) abaixo de 27 pg e CHCM (concentração de hemoglobina corpuscular média) abaixo de 32%.

Quando suspeitar de talassemia em um caso de anemia?

Suspeita-se de talassemia em anemia microcítica hipocrômica com RDW normal, não responsiva à suplementação de ferro, e com história familiar de anemia ou origem étnica de risco (Mediterrâneo, Oriente Médio, Sudeste Asiático).

Qual o papel da eletroforese de hemoglobina no diagnóstico de anemias?

A eletroforese de hemoglobina é crucial para identificar e quantificar as diferentes frações de hemoglobina (HbA, HbA2, HbF, HbS, HbC, etc.), sendo essencial para o diagnóstico de talassemias e outras hemoglobinopatias.

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