USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Pré-escolar do sexo masculino, de 4 anos de idade, compareceu a consulta rotina de puericultura. Pais não relatavam queixas clínicas neste atendimento. Descrevem boa alimentação e bom desenvolvimento global. Peso e estatura ambos nos percentis 50 (P50) para idade e gênero. Pediatra observou mucosas levemente descoradas (+/4+) ao exame clínico, e sem outros achados de importância no exame físico. O paciente retorna hoje (1 semana após) para avaliação de resultado de exame hematológico solicitado na consulta prévia. Traz o seguinte laudo de exame hematimétrico: eritrócitos 5,55 milhões/mm³ (VN: 3,6 a 5,2); hemoglobina 10,40 g/dL (VN: 11 a 13,1 g/dL); hematócrito 32,10% ( VN: 35,0 - 43,0%); VCM 57,83 fL (VN: 74,0 a 102,0 fL); HCM 18,73 pg (VN: 23,0 a 31,0 pg); CHCM 32,39 g/dL (VN: 26,0 a 34,0 g/dL) RDW 13,6 % (VN: 11,5 a 14,5%). Série vermelha: microcitose e hipocromia discretas; ausência de anisocitose.Com base nos dados clínicos e laboratoriais apresentados, qual a alternativa que corresponde a melhor conduta a ser adotada para o caso?
Anemia microcítica hipocrômica com RDW normal em criança → suspeitar de talassemia ou hemoglobinopatia.
Em um pré-escolar com anemia microcítica e hipocrômica, especialmente com RDW normal, a principal hipótese diagnóstica não é necessariamente anemia ferropriva. A eletroforese de hemoglobina é crucial para diferenciar entre anemia ferropriva e talassemias, que são hemoglobinopatias com características semelhantes no hemograma.
A anemia microcítica hipocrômica é um achado comum na pediatria, e a anemia ferropriva é a causa mais prevalente. No entanto, é crucial que o residente saiba que nem toda anemia com essas características é ferropriva. As talassemias, um grupo de hemoglobinopatias genéticas, também se manifestam com microcitose e hipocromia, e são relativamente comuns em certas populações. A distinção entre essas condições é vital para o manejo adequado e para evitar tratamentos desnecessários ou prejudiciais. O hemograma fornece pistas importantes. Enquanto a anemia ferropriva tipicamente cursa com RDW (Red Cell Distribution Width) elevado, refletindo uma anisocitose significativa, as talassemias menores (traço talassêmico) frequentemente apresentam RDW normal, apesar da microcitose e hipocromia acentuadas. A contagem de eritrócitos pode estar normal ou até elevada nas talassemias, um achado incomum na anemia ferropriva. A história familiar e a etnia também são dados relevantes para a suspeita. Diante de uma anemia microcítica hipocrômica com RDW normal ou uma resposta inadequada à suplementação de ferro, a próxima etapa diagnóstica é a eletroforese de hemoglobina. Este exame permite identificar a presença de hemoglobinas variantes (como HbS, HbC) ou alterações nas proporções das hemoglobinas normais (HbA, HbA2, HbF), características das talassemias. O tratamento da talassemia é de suporte e, ao contrário da anemia ferropriva, a suplementação de ferro é contraindicada, podendo levar à hemocromatose.
A anemia microcítica hipocrômica é caracterizada por VCM (volume corpuscular médio) e HCM (hemoglobina corpuscular média) abaixo dos valores de referência, indicando hemácias pequenas e com pouca hemoglobina.
A anemia ferropriva geralmente apresenta RDW elevado, enquanto nas talassemias (traço) o RDW costuma ser normal. A eletroforese de hemoglobina é o exame confirmatório para talassemias, identificando hemoglobinas anormais ou proporções alteradas.
A eletroforese de hemoglobina é fundamental para diagnosticar talassemias e outras hemoglobinopatias, que podem mimetizar a anemia ferropriva no hemograma e não respondem à suplementação de ferro, podendo até causar sobrecarga de ferro se tratadas incorretamente.
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