HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Mulher, de 25 anos de idade, comparece ao ambulatório para investigação de anemia. Está assintomática no momento. Nega comorbidades ou uso de medicações. Teve menarca aos 15 anos, com ciclos regulares desde então, com duração de 5 dias e fluxo moderado. Nega história de sangramento excessivo ou dietas restritivas. Ao exame, apresenta pressão arterial de 110x78mmHg e frequência cardíaca de 66bpm. Sem outras queixas. Os exames solicitados podem ser vistos na tabela a seguir: Também havia descrição de microcitose e hipocromia na análise automatizada da lâmina. Diante dos achados, qual é a próxima conduta que deve ser adotada?
Anemia microcítica hipocrômica + Ferritina normal/alta + Ferro normal → Investigar hemoglobinopatias (eletroforese Hb).
Em casos de anemia microcítica e hipocrômica, a primeira hipótese é anemia ferropriva. No entanto, se os estoques de ferro (ferritina) e o ferro sérico estiverem normais ou elevados, outras causas, como as talassemias, devem ser investigadas, sendo a eletroforese de hemoglobina o exame chave.
A anemia microcítica hipocrômica é um achado laboratorial comum, caracterizada por hemácias pequenas (VCM baixo) e pálidas (HCM baixo). A causa mais frequente é a deficiência de ferro (anemia ferropriva), que pode ser decorrente de sangramento crônico (menstruação, trato gastrointestinal), má absorção ou ingestão inadequada. No entanto, é fundamental considerar outras etiologias, como as talassemias, anemias de doença crônica e, menos frequentemente, a anemia sideroblástica. A investigação diagnóstica deve seguir uma abordagem sistemática. Após a confirmação da microcitose e hipocromia no hemograma, a próxima etapa é a avaliação do metabolismo do ferro, incluindo ferritina sérica (principal marcador dos estoques de ferro), ferro sérico e capacidade total de ligação do ferro (CTLF). Se os exames de ferro forem normais ou elevados, a suspeita de hemoglobinopatias, como as talassemias, torna-se prioritária. Nesse cenário, a eletroforese de hemoglobina é o exame de escolha para identificar as variantes de hemoglobina e as síndromes talassêmicas. O tratamento deve ser direcionado à causa subjacente; iniciar ferro oral sem um diagnóstico preciso pode ser ineficaz e até prejudicial em casos de talassemia, onde há risco de sobrecarga de ferro. A observação clínica sem investigação adicional seria inadequada para uma anemia.
Inicialmente, deve-se avaliar os parâmetros do ferro: ferro sérico, ferritina, capacidade total de ligação do ferro (CTLF) e saturação da transferrina. Estes exames ajudam a confirmar ou excluir a anemia ferropriva.
A eletroforese de hemoglobina é indicada quando há anemia microcítica hipocrômica com estoques de ferro normais ou elevados, ou quando há suspeita clínica de hemoglobinopatias, como talassemias ou doença falciforme.
Na anemia ferropriva, a ferritina é baixa, o ferro sérico é baixo e a CTLF é alta. Na talassemia minor, a ferritina e o ferro sérico são geralmente normais ou elevados, e a eletroforese de hemoglobina mostrará alterações nas frações de hemoglobina (ex: HbA2 elevada na beta-talassemia).
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