CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2022
Paciente 48 anos, sexo masculino, sem comorbidades, sem queixas, traz o hemograma a seguir: A conduta mais adequada seria:
Anemia microcítica hipocrômica → investigar causa antes de iniciar reposição de ferro.
Um hemograma com anemia microcítica e hipocrômica sugere deficiência de ferro, mas é fundamental confirmar o diagnóstico e investigar a causa subjacente antes de iniciar o tratamento. A dosagem de reticulócitos, ferro, ferritina e saturação de transferrina são exames essenciais para essa elucidação.
A anemia microcítica hipocrômica é caracterizada por hemácias pequenas (VCM baixo) e pálidas (HCM baixo), sendo a deficiência de ferro a causa mais comum. No entanto, outras condições como talassemias, anemia de doença crônica e anemia sideroblástica também podem apresentar esse padrão. A prevalência da anemia ferropriva é alta globalmente, especialmente em mulheres em idade fértil e crianças. A fisiopatologia da anemia ferropriva envolve a redução dos estoques de ferro, essencial para a síntese de hemoglobina. O diagnóstico diferencial é crucial. A dosagem de reticulócitos avalia a resposta da medula óssea. O ferro sérico reflete o ferro circulante, a ferritina os estoques e a saturação de transferrina indica a disponibilidade de ferro para a eritropoiese. A combinação desses exames permite confirmar a deficiência de ferro e excluir outras causas. A conduta inicial, antes de qualquer tratamento, deve ser a investigação etiológica. Uma vez confirmada a deficiência de ferro, a reposição oral com sulfato ferroso é a primeira linha de tratamento, por no mínimo 3 a 6 meses. É fundamental identificar e tratar a causa subjacente da perda de ferro (ex: sangramento gastrointestinal, menorragia) para evitar recorrências e garantir a resolução completa da anemia.
Além do hemograma, são essenciais a dosagem de reticulócitos, ferro sérico, ferritina sérica, saturação de transferrina e capacidade total de ligação do ferro (TIBC) para confirmar a deficiência de ferro e diferenciar de outras causas.
Iniciar ferro sem investigação pode mascarar a causa subjacente da anemia, como sangramento gastrointestinal oculto, que necessita de tratamento específico. Além disso, outras anemias microcíticas (como talassemias) não respondem ao ferro.
A ferritina é o principal marcador dos estoques de ferro do corpo. Níveis baixos (<30 ng/mL) são altamente sugestivos de deficiência de ferro, enquanto níveis normais ou altos podem indicar anemia de doença crônica.
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