SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente masculino, 25 anos, vegetariano, apresenta-se para exame admissional com exames realizados. Traz o seguinte hemograma: Hemácias: 5,3milhões/mm³ (VR: 4,56milhões/mm³) Hb: 11,1g/dL (VR: 13,5-17,5) Ht: 33% (VR: 40-52) VCM: 72fL (VR: 81-99) HCM: 25pg (VR: 30-34) RDW: 13% (VR: 12-14) Leucócitos: 6500/mm³ (VR: 4000-10000) Plaquetas: 452000/mm³ (VR: 150000-450000) – presença de hemácias em alvo. Demais exames sem anormalidades. Nega etilismo. Relata estar assintomático e nega doenças prévias, mas relata que sempre teve alguma alteração em hemogramas anteriores, sendo que nunca lhe foi orientado nenhum tratamento específico. LEGENDA: VR: valor de referência; VCM: volume corpuscular médio; HCM: hemoglobina corpuscular média; RDW: índice de anisocitose. Em relação ao diagnóstico provável para a anemia encontrada, qual exame seria mais específico para confirmação?
Anemia microcítica hipocrômica + RDW normal + hemácias em alvo + história crônica assintomática → suspeitar talassemia → Eletroforese de hemoglobina.
A combinação de anemia microcítica hipocrômica com RDW normal e presença de hemácias em alvo, em um paciente assintomático com histórico de alterações crônicas, sugere fortemente um traço talassêmico. A eletroforese de hemoglobina é o exame confirmatório para talassemias.
A anemia microcítica hipocrômica é um achado laboratorial comum, sendo a deficiência de ferro a causa mais frequente. No entanto, é crucial considerar outras etiologias, como as talassemias, anemia de doença crônica e, menos comumente, anemia sideroblástica. A diferenciação é fundamental para evitar tratamentos inadequados e identificar condições genéticas importantes. No caso apresentado, a anemia microcítica hipocrômica com RDW normal, presença de hemácias em alvo e história de anemia crônica assintomática são marcadores que desviam o diagnóstico de uma anemia ferropriva típica e apontam fortemente para um traço talassêmico (talassemia menor). A anemia ferropriva, embora também microcítica e hipocrômica, geralmente cursa com RDW elevado devido à anisocitose. A eletroforese de hemoglobina é o exame mais específico para confirmar o diagnóstico de talassemia, pois detecta as alterações nas proporções das cadeias de globina. O perfil bioquímico do ferro (ferritina, ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro) seria o próximo passo se a suspeita de anemia ferropriva fosse maior, mas não é o exame mais específico para o quadro provável. A dosagem de vitamina B12 é para anemias macrocíticas, e o mielograma é um exame invasivo reservado para casos mais complexos ou refratários.
O RDW (Red Cell Distribution Width) mede a variação de tamanho das hemácias. Um RDW elevado sugere anemia ferropriva, enquanto um RDW normal, em conjunto com microcitose, é um forte indicativo de talassemia menor ou traço talassêmico.
Suspeite de talassemia em pacientes com anemia microcítica hipocrômica, especialmente se o RDW for normal, houver hemácias em alvo no esfregaço e o paciente for assintomático com histórico de anemia crônica não responsiva a ferro.
A eletroforese de hemoglobina é o exame confirmatório para talassemias, pois permite identificar e quantificar as diferentes frações de hemoglobina (HbA, HbA2, HbF), que estão alteradas nos diferentes tipos de talassemia.
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