Anemia Microcítica e Plaquetopenia em Idosos: Investigação

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 64 anos de idade procura atendimento médico na Unidade Básica de Saúde, com queixa de astenia progressiva há quatro meses e episódios eventuais de sangramento nasal. Nega comorbidades e uso de medicações. PA 110 x 75 mmHg, FC 102 bpm, FR 20 ipm, palidez com mucosas hipocoradas (++/4+). Hemoglobina 8,9 g/dL (12 a 14 g/dL), hematócrito 27% (36 a 42%), VCM 64 fL (80 a 100 fL), HCM 21 pg (27 a 32 pg), RDW 18% (11,5 a 15%); leucograma normal e plaquetas em 75.600/µL (150 – 400 mil/µL).Neste momento, recomenda-se a realização de

Alternativas

  1. A) colonoscopia e endoscopia.
  2. B) mielograma.
  3. C) dosagem de ácido fólico.
  4. D) dosagem de vitamina B12.
  5. E) pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Pérola Clínica

Anemia microcítica hipocrômica + plaquetopenia em idoso → investigar mielodisplasia (mielograma é o próximo passo).

Resumo-Chave

A combinação de anemia microcítica hipocrômica com plaquetopenia em um paciente idoso, associada a sintomas como astenia e sangramento nasal, levanta a suspeita de uma disfunção medular, como a síndrome mielodisplásica. Nesses casos, o mielograma é fundamental para avaliar a morfologia das células hematopoéticas e a celularidade da medula óssea.

Contexto Educacional

A anemia microcítica hipocrômica é classicamente associada à deficiência de ferro ou talassemias. No entanto, em pacientes idosos, a apresentação de anemia com outras citopenias, como a plaquetopenia, deve levantar a suspeita de condições mais complexas da medula óssea, como as síndromes mielodisplásicas (SMD). As SMD são um grupo heterogêneo de distúrbios clonais das células-tronco hematopoéticas caracterizadas por hematopoiese ineficaz e risco variável de transformação em leucemia mieloide aguda. O diagnóstico de SMD requer uma avaliação detalhada da medula óssea. O mielograma, que consiste na aspiração e biópsia da medula óssea, é o exame padrão-ouro para avaliar a celularidade, a morfologia das células (buscando dismielopoese) e a presença de blastos. A idade avançada do paciente, astenia progressiva e sangramentos (epistaxe) são sintomas que, em conjunto com as alterações do hemograma (anemia microcítica e plaquetopenia), reforçam a necessidade de investigação medular. Embora a deficiência de ferro seja comum em idosos e possa ser causada por sangramento gastrointestinal (justificando endoscopia/colonoscopia), a coexistência de plaquetopenia direciona a investigação para a medula óssea. A dosagem de ácido fólico e vitamina B12 seria mais relevante em anemias macrocíticas. Portanto, diante de um quadro de bicitopenia em idoso, o mielograma é o próximo passo mais adequado para elucidar a etiologia.

Perguntas Frequentes

Quais são as características laboratoriais que sugerem uma síndrome mielodisplásica?

A síndrome mielodisplásica pode se manifestar com citopenias em uma ou mais linhagens, como anemia (muitas vezes macrocítica, mas pode ser microcítica ou normocítica), leucopenia e/ou plaquetopenia. A presença de dismielopoese no mielograma é um achado chave.

Por que a colonoscopia e endoscopia não seriam o primeiro passo neste caso?

Embora sangramento gastrointestinal possa causar anemia microcítica, a presença de plaquetopenia significativa no paciente, além da astenia e sangramento nasal, sugere uma causa medular para as citopenias, tornando o mielograma uma investigação mais prioritária para o quadro global.

O que o mielograma pode revelar em casos de anemia e plaquetopenia?

O mielograma permite avaliar a celularidade da medula óssea, a morfologia das células hematopoéticas e a presença de dismielopoese (alterações morfológicas displásicas nas linhagens mieloides, eritroides e megacariocíticas), que são características das síndromes mielodisplásicas.

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