UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Paciente de 45 anos, mulher, é encaminhada para investigação de anemia. Hb 8,1g/dL, VCM 125fL, GB 3200 com 2100 neutrófilos e plaquetas 135.000/uL. Neutrófilos hipersegmentados são visualizados. Histórico de seguimento com reumatologista por artrite psoriática. Sobre este caso, avalie as asserções e assinale a alternativa correta:I. Artrite psoriática e anemia perniciosa podem estar relacionadas.II. Endoscopia digestiva alta deve ser solicitada para confirmação da etiologia da anemia megaloblástica.III. Reposição com ácido fólico é urgente por conta do tratamento reumatológico.
Anemia megaloblástica + doença autoimune → suspeitar anemia perniciosa. Confirmar com EDA e NUNCA repor folato isolado.
A anemia megaloblástica com pancitopenia e neutrófilos hipersegmentados sugere deficiência de B12. A associação com artrite psoriática (doença autoimune) aumenta a suspeita de anemia perniciosa. A EDA com biópsia é crucial para confirmar a gastrite atrófica autoimune, e a reposição de ácido fólico isolado é contraindicada.
A anemia megaloblástica é uma condição hematológica caracterizada pela presença de eritrócitos grandes e imaturos (macrocitose) na medula óssea e no sangue periférico, geralmente devido à deficiência de vitamina B12 (cobalamina) ou folato. Clinicamente, pode apresentar fadiga, palidez, glossite e, no caso da deficiência de B12, sintomas neurológicos como parestesias, ataxia e demência. A identificação precoce é crucial para prevenir danos irreversíveis, especialmente neurológicos. A deficiência de vitamina B12 é frequentemente causada por má absorção, sendo a anemia perniciosa a etiologia mais comum. A anemia perniciosa é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca as células parietais do estômago, responsáveis pela produção do fator intrínseco, essencial para a absorção de B12. A associação com outras doenças autoimunes, como a artrite psoriática, é comum. Os achados laboratoriais incluem VCM elevado, neutrófilos hipersegmentados e, frequentemente, pancitopenia. A confirmação da gastrite atrófica autoimune por endoscopia digestiva alta com biópsia é o padrão-ouro para o diagnóstico de anemia perniciosa. O tratamento da anemia megaloblástica depende da causa. Na deficiência de vitamina B12, a reposição deve ser feita com B12 parenteral ou oral em altas doses. É crítico não iniciar a reposição de ácido fólico isoladamente antes de descartar a deficiência de B12, pois o folato pode corrigir a anemia, mas não os sintomas neurológicos, podendo até mascarar e agravar a condição neurológica subjacente. O acompanhamento é essencial para monitorar a resposta ao tratamento e a possível necessidade de manutenção contínua.
A anemia megaloblástica por deficiência de B12 é caracterizada por anemia macrocítica (VCM > 100 fL), com neutrófilos hipersegmentados no esfregaço de sangue periférico. Pode haver pancitopenia (leucopenia e trombocitopenia), e os níveis séricos de vitamina B12 estarão baixos, com elevação de homocisteína e ácido metilmalônico.
A artrite psoriática é uma doença autoimune, e pacientes com uma doença autoimune têm maior risco de desenvolver outras doenças autoimunes. A anemia perniciosa, que é a causa mais comum de deficiência de vitamina B12, é uma doença autoimune que ataca as células parietais gástricas, levando à gastrite atrófica e má absorção de B12.
A endoscopia digestiva alta com biópsias da mucosa gástrica é fundamental para confirmar o diagnóstico de anemia perniciosa, pois permite identificar a gastrite atrófica autoimune, caracterizada pela perda das células parietais e principais, e metaplasia intestinal. Isso diferencia a anemia perniciosa de outras causas de deficiência de B12.
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