UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Homem, 50 anos, refere cansaço progressivo nos últimos 6 meses, contudo sem sintomas respiratórios. Exame físico: hipocorado. Hematócrito (Ht) = 45% há cerca de um ano. Exames laboratoriais recentes: Ht = 25%; reticulócitos = 4%; ferritina = 300µg/L. Exame do sangue periférico: macro ovalocitose; policromatofilia e vários neutrófilos com seis segmentos ou mais. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Anemia + macro ovalocitose + neutrófilos hipersegmentados + reticulocitose + ferritina normal → Anemia megaloblástica.
A combinação de anemia macrocítica (macro ovalocitose), neutrófilos hipersegmentados (clássico da anemia megaloblástica), reticulocitose (indicando resposta medular) e ferritina normal (excluindo deficiência de ferro) aponta fortemente para anemia megaloblástica, geralmente por deficiência de vitamina B12 ou folato.
A anemia megaloblástica é uma condição hematológica caracterizada pela produção de eritrócitos grandes e imaturos (megaloblastos) devido a uma síntese de DNA defeituosa. As causas mais comuns são a deficiência de vitamina B12 (cobalamina) e/ou folato, essenciais para a replicação celular. É uma anemia macrocítica que, se não tratada, pode levar a complicações neurológicas irreversíveis. A fisiopatologia reside na interrupção da síntese de DNA, que afeta principalmente as células de rápida proliferação, como as da medula óssea. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos (cansaço, palidez) e laboratoriais. No hemograma, observa-se anemia macrocítica (VCM elevado) e no esfregaço de sangue periférico, a macro-ovalocitose e, classicamente, neutrófilos hipersegmentados são patognomônicos. A ferritina normal ou elevada ajuda a diferenciar de anemia ferropriva. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente, seja B12 ou folato. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a recuperação neurológica pode ser incompleta se a deficiência de B12 for prolongada. É crucial investigar a causa subjacente da deficiência (ex: anemia perniciosa, má absorção) para prevenir recorrências.
Os achados clássicos incluem macro-ovalocitose (eritrócitos grandes e ovais), policromatofilia (eritrócitos jovens), e a presença de neutrófilos hipersegmentados, com seis ou mais lóbulos nucleares.
A ferritina é um marcador dos estoques de ferro. Na anemia megaloblástica, a deficiência é de vitamina B12 ou folato, não de ferro, portanto, os estoques de ferro geralmente permanecem normais ou até elevados.
A reticulocitose, ou contagem elevada de reticulócitos, indica que a medula óssea está tentando compensar a anemia produzindo mais glóbulos vermelhos, apesar da eritropoiese ineficaz característica da anemia megaloblástica.
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