Anemia Megaloblástica: Achados Laboratoriais e Diagnóstico

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 60 anos, apresenta cansaço progressivo há 4 meses. Exames laboratoriais iniciais: Ht = 22%; Hb = 7g/dL; volume corpuscular médio (VCM) = 115fL; leucócitos = 2.500/mm³; plaquetas = 65.000/mm³; reticulócitos normais; bilirrubina = 1,5mg/dL com predomínio de indireta; e LDH elevada. Pode-se afirmar que provavelmente o esfregaço periférico revelará:

Alternativas

  1. A) dacriócitos
  2. B) esferócitos
  3. C) drepanócitos
  4. D) macroovalócitos

Pérola Clínica

Anemia megaloblástica: VCM ↑, pancitopenia, reticulócitos normais/↓, LDH ↑, bilirrubina indireta ↑, macroovalócitos.

Resumo-Chave

A anemia megaloblástica é caracterizada por macrocitose (VCM > 100 fL), frequentemente acompanhada de pancitopenia. A elevação da LDH e da bilirrubina indireta, com reticulócitos normais ou baixos, sugere hemólise intramedular, um achado típico. O esfregaço periférico revela macroovalócitos, neutrófilos hipersegmentados e anisopoiquilocitose.

Contexto Educacional

A anemia megaloblástica é uma condição hematológica caracterizada pela produção de eritrócitos grandes e imaturos (megaloblastos) na medula óssea, resultante de uma síntese de DNA prejudicada. É mais comumente causada por deficiência de vitamina B12 ou folato, nutrientes essenciais para a replicação celular. Embora possa afetar qualquer idade, é mais prevalente em idosos e em populações com dietas restritivas ou condições de má absorção, sendo crucial para residentes reconhecerem seus sinais. A fisiopatologia central envolve a interrupção da síntese de DNA, levando à maturação assincrônica do núcleo e citoplasma das células hematopoéticas. Isso resulta em eritropoiese ineficaz, com destruição de precursores celulares na medula (hemólise intramedular), elevando LDH e bilirrubina indireta. O diagnóstico é guiado por achados laboratoriais como VCM elevado (>100 fL), pancitopenia, reticulócitos normais ou baixos, e a presença de macroovalócitos e neutrófilos hipersegmentados no esfregaço periférico. A dosagem sérica de vitamina B12 e folato confirma a etiologia. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente, geralmente com suplementos orais ou injetáveis de vitamina B12 ou ácido fólico. A resposta ao tratamento é tipicamente rápida, com melhora dos sintomas e normalização dos parâmetros hematológicos. É importante investigar a causa subjacente da deficiência para evitar recorrências. O prognóstico é excelente com tratamento adequado, mas a não identificação pode levar a complicações neurológicas irreversíveis na deficiência de B12.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem anemia megaloblástica?

Os principais achados incluem anemia macrocítica (VCM > 100 fL), frequentemente com pancitopenia (leucopenia e trombocitopenia), reticulócitos normais ou baixos, e elevação de LDH e bilirrubina indireta devido à hemólise intramedular.

O que são macroovalócitos e por que são importantes no diagnóstico?

Macroovalócitos são eritrócitos grandes e ovais, característicos da anemia megaloblástica. Sua presença no esfregaço periférico, juntamente com neutrófilos hipersegmentados, é um achado morfológico chave que auxilia no diagnóstico diferencial de anemias macrocíticas.

Como a deficiência de vitamina B12 e folato causa anemia megaloblástica?

Tanto a vitamina B12 quanto o folato são essenciais para a síntese de DNA. A deficiência de um ou ambos leva a uma eritropoiese ineficaz, resultando na produção de eritrócitos grandes e imaturos (megaloblastos) na medula óssea, que são destruídos antes de amadurecerem, causando anemia e pancitopenia.

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