FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Paciente de 60 anos, foi submetido a Gastrectomia Total com linfadenectomia por causa de Câncer Gástrico Estadio Clínico I há 9 meses e perdeu o seguimento. Deu entrada no PS com astenia e foi diagnosticado com anemia megaloblástica. Qual a etiologia provável para este caso? E qual a terapêutica apropriada?
Gastrectomia total → Ausência de fator intrínseco → Deficiência de B12 → Reposição parenteral vitalícia.
A gastrectomia total remove as células parietais gástricas, cessando a produção de fator intrínseco, essencial para a absorção da vitamina B12 no íleo terminal.
A anemia megaloblástica é caracterizada por um defeito na síntese de DNA, levando a um assincronismo entre a maturação do núcleo e do citoplasma dos precursores hematopoiéticos. No contexto da gastrectomia total, a perda do fator intrínseco é a causa direta da má absorção de B12. Além da anemia macrocítica, a deficiência crônica pode causar a degeneração combinada subaguda da medula espinhal. O acompanhamento pós-operatório de pacientes oncológicos submetidos a ressecções gástricas deve obrigatoriamente incluir a suplementação profilática de B12 para evitar quadros de astenia e neuropatias.
A vitamina B12 ingerida precisa se ligar ao fator intrínseco, secretado pelas células parietais do estômago. Após uma gastrectomia total, a fonte de fator intrínseco é removida. Sem ele, o complexo B12-fator intrínseco não se forma, impedindo a absorção da vitamina nos receptores específicos localizados no íleo terminal.
O fígado armazena grandes quantidades de vitamina B12, suficientes para 3 a 5 anos. No entanto, em pacientes gastrectomizados por neoplasias, os estoques podem estar previamente reduzidos, e a astenia ou alterações hematológicas podem aparecer em meses, como observado no caso clínico após 9 meses de seguimento inadequado.
A via parenteral (intramuscular) é o padrão-ouro para garantir a biodisponibilidade em pacientes sem fator intrínseco. Embora doses orais altíssimas possam ser absorvidas por difusão passiva (1%), a reposição parenteral mensal assegura níveis terapêuticos e previne complicações neurológicas graves.
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