UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022
Considere os seguintes valores normais para esta questão. Homem de 68 anos, branco, lavrador, ex-tabagista (43 anos/maço), queixa-se de fraqueza há 5 semanas, mais intensa há 15 dias. Exame físico: FC 94 bpm, PA 110/70 mmHg, palidez 3+/4, icterícia conjuntival 1+/4, sopro holossistólico 1+ (suave), varizes sublinguais 3+/4, gengivite tartárica inferior, fígado palpável a 1 cm do rebordo costal na linha hemiclavicular direita, baço percutível. Exames laboratoriais: DHL 1389 U/mL, haptoglobina zero, BT 3,8 mg/dL (direta 0,5, indireta 2,3); glóbulos vermelhos 2.680.000/mm³, Hb 10,3 g/dL, Ht 33,2 %, VCM 124 fL, HCM 42, 2 pg, CHCM 34,1 g/dL, RDW 16,8%, plaquetas 82.000/mm³, leucócitos 6.050/mm³ (neutro 4.230/mm³, linfo 1.490/mm³, mono 270/mm³, eosi 60/mm³, baso 10/mm³).O diagnóstico é anemia macrocítica
Anemia macrocítica + plaquetopenia + DHL ↑ + haptoglobina ↓ = forte suspeita de megaloblastose.
A anemia macrocítica associada à plaquetopenia, com DHL elevado e haptoglobina indetectável, é um quadro clássico de megaloblastose, que cursa com hematopoiese ineficaz e hemólise intramedular, levando à destruição de precursores celulares.
A anemia macrocítica é caracterizada por um VCM (Volume Corpuscular Médio) elevado, geralmente acima de 100 fL. Dentre suas causas, a megaloblastose, decorrente da deficiência de vitamina B12 ou folato, é uma das mais importantes e frequentemente se apresenta com um quadro clínico e laboratorial complexo. A deficiência dessas vitaminas compromete a síntese de DNA, resultando em uma hematopoiese ineficaz, onde as células precursoras na medula óssea não amadurecem adequadamente e são destruídas antes de serem liberadas na circulação. O quadro laboratorial da megaloblastose tipicamente inclui anemia macrocítica (VCM > 100 fL, frequentemente > 110 fL), RDW elevado (anisocitose), e pode cursar com pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia) devido à ineficácia da produção de todas as linhagens celulares. Marcadores de hemólise, como DHL elevado e haptoglobina indetectável, são comuns, mas neste contexto, refletem principalmente a destruição intramedular de precursores eritroides (eritropoiese ineficaz), e não necessariamente hemólise periférica. A icterícia indireta também pode estar presente. O diagnóstico diferencial da anemia macrocítica é amplo, mas a combinação de anemia macrocítica, plaquetopenia e sinais de hemólise intramedular deve levantar forte suspeita de megaloblastose. A confirmação é feita pela dosagem sérica de vitamina B12 e folato. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente, levando a uma rápida melhora clínica e laboratorial.
As principais causas de anemia macrocítica incluem deficiência de vitamina B12 ou folato (megaloblástica), alcoolismo, doenças hepáticas, hipotireoidismo, síndromes mielodisplásicas e uso de certos medicamentos que interferem na síntese de DNA.
Na megaloblastose, a hematopoiese é ineficaz, levando à destruição intramedular de precursores celulares (eritropoiese e megacariopoiese ineficazes). Isso resulta em anemia, leucopenia e plaquetopenia, além de elevação do DHL e bilirrubina indireta devido à hemólise intramedular.
Além do hemograma completo com VCM elevado e RDW aumentado, são cruciais a dosagem sérica de vitamina B12 e folato. Outros exames podem incluir pesquisa de anticorpos anti-fator intrínseco e anti-célula parietal para anemia perniciosa.
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