SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2023
Paciente masculino, 48 anos, comparece na Unidade Básica de Saúde com queixa de cansaço progressivo no último semestre, sem sintomas respiratórios. Ao exame físico: hipocorado, com valor do hematócrito de 47% há um ano. Exames laboratoriais recentes: hematócrito 25%; reticulócitos 4,2%; ferritina 310µg/L Exame do sangue periférico: macro ovalocitose; policromatofilia e múltiplos neutrófilos com seis segmentos ou mais. A principal hipótese diagnóstica é:
Anemia macrocítica + neutrófilos hipersegmentados + reticulócitos ↑ + ferritina normal/↑ = Anemia Megaloblástica.
A presença de macro ovalocitose e neutrófilos hipersegmentados no esfregaço de sangue periférico é patognomônica de anemia megaloblástica, causada por deficiência de vitamina B12 ou folato. A reticulocitose, mesmo com anemia grave, indica uma resposta medular, mas não é suficiente para compensar a queda do hematócrito, e a ferritina normal/alta afasta deficiência de ferro como causa primária.
A anemia megaloblástica é uma condição hematológica caracterizada pela produção de eritrócitos grandes e imaturos (macrocíticos) devido a um defeito na síntese de DNA, mais comumente por deficiência de vitamina B12 (cobalamina) ou folato. É uma causa importante de anemia macrocítica e deve ser prontamente diagnosticada e tratada para evitar complicações neurológicas irreversíveis associadas à deficiência de B12. Sua prevalência é significativa em populações com dietas restritivas, idosos e pacientes com doenças gastrointestinais que afetam a absorção. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, como cansaço e palidez, com exames laboratoriais. O hemograma revela anemia macrocítica e, no esfregaço de sangue periférico, são observadas macro ovalocitose e a característica hipersegmentação dos neutrófilos (com 5 ou mais lóbulos nucleares). A dosagem sérica de vitamina B12 e folato confirma a deficiência. A reticulocitose pode estar presente, indicando uma resposta medular, mas é ineficaz devido à eritropoiese megaloblástica. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente, geralmente por via parenteral para B12 em casos de má absorção, e oral para folato. A resposta ao tratamento é tipicamente rápida, com melhora dos sintomas e normalização dos parâmetros hematológicos. É crucial identificar a causa subjacente da deficiência para prevenir recorrências e gerenciar complicações a longo prazo, especialmente as neurológicas da deficiência de B12.
Os achados clássicos incluem anemia macrocítica (VCM > 100 fL), macro ovalocitose e neutrófilos hipersegmentados no esfregaço de sangue periférico. Pode haver também pancitopenia, reticulocitose relativa e níveis baixos de vitamina B12 ou folato.
A presença de neutrófilos hipersegmentados é o achado mais específico da anemia megaloblástica. Outras causas de macrocitose, como doenças hepáticas ou hipotireoidismo, geralmente não apresentam essa alteração morfológica nos neutrófilos.
A ferritina normal ou elevada na anemia megaloblástica ajuda a excluir a deficiência de ferro como causa da anemia. Em casos de deficiência combinada, a ferritina pode estar baixa, mas os achados morfológicos ainda direcionam para a investigação de B12/folato.
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