UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Paciente, sexo feminino, 50 anos, hipertensa e diabética em uso de captopril e metformina, em seguimento ambulatorial devido a astenia, tontura, discreta icterícia, formigamentos nas mãos e pés, disbasia e episódios de retenção urinária. Realizou exames (representados abaixo). Após a conclusão do diagnóstico e duas semanas do início do tratamento, a paciente deu entrada em serviço de urgência com quadro de arritmia devido a distúrbio hidroeletrolítico (HE) associado ao tratamento da doença de base.*Presença de neutrófilos hipersegmentados. A doença, a medicação correlacionada, o tratamento prescrito à doença de base e o distúrbio HE ocorrido são, respectivamente,
Anemia megaloblástica (neutrófilos hipersegmentados) + metformina + sintomas neurológicos → Deficiência B12. Reposição B12 pode causar hipocalemia.
A anemia megaloblástica, frequentemente causada por deficiência de vitamina B12, é caracterizada por neutrófilos hipersegmentados e pode cursar com sintomas neurológicos. A metformina é uma causa conhecida de deficiência de B12. A reposição de cobalamina, embora essencial, pode precipitar hipocalemia devido ao rápido consumo de potássio na medula óssea em regeneração.
A anemia megaloblástica é uma condição hematológica caracterizada pela produção de eritrócitos grandes e imaturos (macrocíticos) devido a uma síntese de DNA prejudicada, mais comumente por deficiência de vitamina B12 (cobalamina) ou folato. É uma causa importante de anemia, especialmente em idosos e pacientes com certas condições médicas ou em uso de medicamentos específicos. A deficiência de vitamina B12 pode manifestar-se com sintomas hematológicos (anemia, pancitopenia), gastrointestinais (glossite, diarreia) e neurológicos (parestesias, ataxia, disbasia, demência), que podem ser irreversíveis se não tratados precocemente. A metformina, um medicamento comum para diabetes tipo 2, é uma causa conhecida de deficiência de B12, exigindo monitoramento e suplementação em usuários de longo prazo. O tratamento da anemia megaloblástica por deficiência de B12 consiste na reposição de cobalamina. É crucial estar atento a complicações do tratamento, como a hipocalemia, que pode ocorrer devido ao rápido consumo de potássio pelas células em proliferação na medula óssea durante a fase de recuperação. A monitorização dos eletrólitos é essencial, especialmente nas primeiras semanas de terapia.
A anemia megaloblástica é caracterizada por macro-ovalócitos, neutrófilos hipersegmentados no esfregaço de sangue periférico, e pancitopenia em casos graves. Os níveis de vitamina B12 ou folato estarão baixos.
A metformina pode interferir na absorção intestinal da vitamina B12 no íleo terminal, possivelmente alterando a motilidade intestinal ou a função do fator intrínseco, levando à deficiência a longo prazo.
A reposição de cobalamina estimula rapidamente a eritropoiese e a proliferação celular na medula óssea. Esse processo consome potássio, que é ativamente transportado para o interior das células em formação, podendo causar uma queda significativa nos níveis séricos de potássio.
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