UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem, 75 anos, apresenta-se ao pronto atendimento por queixa de fraqueza e astenia progressivas. Ao exame inicial apresenta: Hb 7,1 g/dL (13-16,9) | Hematocrito 21% (40-50) |Reticulócitos: 0,5% (0,5-1,5) | Índice de produção de reticulócito: 0,1% (valor de referência >3). Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico compatível com os achados laboratoriais:
Anemia grave + Reticulócitos ↓ (IPR <3) → Anemia hipoproliferativa (ex: megaloblástica).
O paciente apresenta anemia grave com reticulocitopenia acentuada (IPR 0,1%), indicando uma resposta medular inadequada à anemia. Isso caracteriza uma anemia hipoproliferativa. Entre as opções, a anemia megaloblástica (por deficiência de vitamina B12 ou folato) é uma causa clássica de anemia hipoproliferativa com eritropoiese ineficaz, resultando em reticulócitos baixos apesar da anemia.
A anemia megaloblástica é um tipo de anemia macrocítica caracterizada pela presença de megaloblastos na medula óssea e hemácias grandes e imaturas no sangue periférico. É causada principalmente pela deficiência de vitamina B12 (cobalamina) ou folato, ambos essenciais para a síntese de DNA. Essa deficiência leva a uma eritropoiese ineficaz, onde as células precursoras na medula óssea não amadurecem adequadamente e são destruídas antes de serem liberadas na circulação, resultando em anemia. O diagnóstico laboratorial é fundamental. A presença de anemia grave (Hb baixa), associada a uma contagem de reticulócitos muito baixa e um Índice de Produção de Reticulócitos (IPR) significativamente reduzido (<0,1% no caso), é altamente sugestiva de uma anemia hipoproliferativa, como a megaloblástica. Isso diferencia-a das anemias hemolíticas ou por perda sanguínea, onde a medula óssea tenta compensar com um aumento na produção de reticulócitos. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente. Para deficiência de B12, a reposição parenteral é frequentemente necessária, especialmente em casos de má absorção (anemia perniciosa). Para deficiência de folato, a suplementação oral é geralmente eficaz. O acompanhamento é crucial para monitorar a resposta hematológica e neurológica (no caso de deficiência de B12), e para investigar a causa subjacente da deficiência, especialmente em idosos.
O IPR é crucial para avaliar a resposta da medula óssea à anemia. Um IPR baixo (<2-2.5) indica uma resposta medular inadequada (anemia hipoproliferativa), enquanto um IPR alto sugere uma resposta medular compensatória (anemia hemolítica ou por perda sanguínea).
As principais causas são a deficiência de vitamina B12 (cobalamina), frequentemente devido à anemia perniciosa ou má absorção, e a deficiência de folato, geralmente por ingestão inadequada, má absorção ou aumento das necessidades (gravidez).
Outros exames incluem hemograma com VCM elevado (macrocitose), dosagem sérica de vitamina B12 e folato, homocisteína e ácido metilmalônico (elevados na deficiência de B12), e pesquisa de autoanticorpos contra fator intrínseco na suspeita de anemia perniciosa.
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