Anemia Macrocítica Grave: Diagnóstico e Manejo Inicial

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2022

Enunciado

P.T.C., 32 anos, chega ao PS queixando-se de cansaço, dispneia e palidez cutânea, além de manchas roxas pelo corpo. Foi realizado hemograma cujo resultado demonstra contagem de hemácias = 3,32 milhões/mm³, hemoglobina = 6,4 g/dL, hematócrito = 25,6%, volume corpuscular médio = 130fL, RDW 14,6%, Leucócitos = 1.500/mm³, plaquetas = 43.000/mm³. Com base neste caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Caso o paciente apresente sangramentos ou febre haverá indicação de transfusão de plaquetas, devendo-se transfundir 01 unidade de plaquetas para cada 15 Kg de peso corpóreo do paciente.
  2. B) A terapia transfusional liberal com o objetivo de manter níveis normais de hemoglobina apresenta melhores resultados que a terapia transfusional restritiva, com objetivo de manter hemoglobina maior que 7,0g/dL em pacientes não coronariopatas.
  3. C) A paciente apresenta quadro de pancitopenia, com volume corpuscular médio aumentado, quadro muito comum em episódios carenciais, em que a deficiência de ácido fólico, relacionada à não ingestão de carne vermelha é a principal causa.
  4. D) Neste caso há indicação de terapia transfusional com concentrado de hemácias para que seja mantenha nível de hemoglobina acima de 7,0g/dL, devendo-se coletar exames de avaliação do perfil de ferro, reticulócitos, dosagem de vitamina B12 e ácido fólico anteriormente à transfusão.

Contexto Educacional

A anemia macrocítica grave, especialmente quando acompanhada de pancitopenia, é uma condição clínica que exige atenção imediata devido ao risco de complicações. A epidemiologia varia conforme a causa, sendo as deficiências de vitamina B12 e ácido fólico as mais comuns, mas outras condições como síndromes mielodisplásicas e doenças hepáticas também devem ser consideradas. É fundamental reconhecer os sinais e sintomas como cansaço, dispneia, palidez e sangramentos para uma abordagem precoce. A fisiopatologia da anemia macrocítica envolve distúrbios na síntese de DNA (como nas deficiências de B12/folato), resultando em eritropoiese ineficaz e produção de eritrócitos maiores. O diagnóstico é guiado pelo hemograma completo, que revela VCM elevado, e pela investigação laboratorial específica, incluindo dosagens de B12, folato, reticulócitos e perfil de ferro. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas de anemia e alterações hematológicas. O tratamento inicial foca na estabilização do paciente, que pode incluir transfusão de concentrado de hemácias em casos de anemia grave sintomática (Hb < 7 g/dL). Contudo, a terapia definitiva depende da causa subjacente, como a reposição de vitamina B12 ou ácido fólico. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falha em investigar a etiologia pode levar à recorrência e complicações a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para transfusão de concentrado de hemácias em pacientes com anemia?

A transfusão de concentrado de hemácias é geralmente indicada para pacientes sintomáticos com hemoglobina abaixo de 7 g/dL, ou abaixo de 8 g/dL em pacientes com doença cardiovascular preexistente, visando melhorar a oxigenação tecidual e aliviar sintomas.

Como investigar a causa de uma anemia macrocítica com pancitopenia?

A investigação de anemia macrocítica com pancitopenia deve incluir dosagens de vitamina B12 e ácido fólico, perfil de ferro, reticulócitos, função tireoidiana, hepática e renal, além de considerar mielograma em casos selecionados para excluir mielodisplasia ou outras doenças medulares.

Qual a importância de investigar a etiologia da anemia antes da transfusão?

Investigar a etiologia da anemia antes da transfusão é crucial para um tratamento definitivo, pois a transfusão pode mascarar achados laboratoriais importantes (como níveis de B12/folato) e atrasar o diagnóstico da causa subjacente, que pode ser tratável.

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