IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022
Uma mulher de 42 anos de idade foi atendida no pronto-socorro devido à queixa de mal-estar, fraqueza e adinamia. Relatou não possuir nenhuma doença, mas que tem se sentido mais cansada e apresentado ganho de peso e “inchaço” nos últimos meses. Procurara, anteriormente, um médico, com o intuído de emagrecer e, assim, melhorar sua disposição, e ele solicitara alguns exames. Com os resultados em mãos, o médico prescrevera a seguinte fórmula: furosemida 40 mg; sulfato ferroso 40 mg; vitamina B12 5 mcg; Ginkgo biloba; e carbonato de cálcio 400 mg. Mesmo com o uso da medicação, não notou melhora, passando a apresentar constipação e fezes escurecidas. O médico do pronto-socorro achou a paciente bastante descorada e, de imediato, acionou o serviço de endoscopia para a realização do exame em caráter de urgência. Tal solicitação foi negada, com a argumentação de que seria importante a realização de outros exames antes do procedimento. Rapidamente, o médico do pronto-socorro conseguiu o resultado do hemograma: Hb 8,5; Ht 23%; VCM 102; HCM 30; RDW 14; plaquetas 180; e leucócitos 4 mil (diferencial não disponível).Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Anemia macrocítica + sintomas inespecíficos + constipação → Investigar hipotireoidismo e deficiência B12, descartar sangramento digestivo.
A paciente apresenta anemia macrocítica (VCM 102) e sintomas como cansaço, ganho de peso e inchaço, sugestivos de hipotireoidismo. As fezes escurecidas podem indicar sangramento digestivo alto, mas o sulfato ferroso também causa fezes escuras, o que confunde o quadro. A endoscopia de urgência não é a primeira medida, sendo mais prudente investigar causas metabólicas e nutricionais da anemia.
A anemia macrocítica, definida por um Volume Corpuscular Médio (VCM) superior a 100 fL, é uma condição comum que exige uma investigação diagnóstica abrangente. Sua prevalência aumenta com a idade e pode ser um marcador de diversas condições subjacentes, desde deficiências nutricionais até doenças mais graves. É fundamental para o médico residente dominar o raciocínio clínico para diferenciar as causas e instituir o tratamento adequado, evitando condutas desnecessárias ou tardias. A fisiopatologia da anemia macrocítica envolve principalmente a síntese prejudicada de DNA (deficiência de B12 ou folato) ou distúrbios na maturação eritroide. No caso apresentado, os sintomas inespecíficos como cansaço, ganho de peso e inchaço, associados à constipação, levantam forte suspeita de hipotireoidismo, que pode cursar com anemia macrocítica. A presença de fezes escurecidas, embora possa sugerir sangramento gastrointestinal, deve ser interpretada com cautela devido ao uso de sulfato ferroso, que escurece as fezes. A conduta inicial deve focar na investigação etiológica da anemia, incluindo a suspensão de medicações desnecessárias e a solicitação de exames como TSH e T4 livre, vitamina B12 e folato. A endoscopia de urgência, neste cenário, é precipitada, pois a causa mais provável não é uma hemorragia digestiva aguda grave. O tratamento será direcionado à causa subjacente, seja reposição hormonal para hipotireoidismo ou suplementação de vitaminas.
As principais causas de anemia macrocítica incluem deficiência de vitamina B12 ou folato, hipotireoidismo, doenças hepáticas, alcoolismo, mielodisplasia e uso de certos medicamentos como metotrexato ou zidovudina.
O hipotireoidismo pode causar anemia macrocítica, além de sintomas como fadiga, ganho de peso e constipação, que a paciente apresenta. A avaliação da função tireoidiana é crucial para o diagnóstico diferencial e tratamento adequado.
Fezes escuras por sulfato ferroso são geralmente pretas e sem brilho, enquanto melena (sangramento digestivo alto) é preta, brilhante e pegajosa (em 'borra de café'). A história clínica, outros sinais de sangramento e exames complementares são importantes para a diferenciação.
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