Anemia Macrocítica: Diagnóstico e Abordagem Inicial

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2015

Enunciado

E.A.B., 20 anos, dá entrada em Serviço de Pronto Atendimento queixando-se de fraqueza progressiva nos últimos 15 dias, com sintomas aos pequenos esforços há 2 dias. Ao exame físico, apresenta palidez cutâneo-mucosa = +++/4+, icterícia = +/4+, PA = 110/60 mm³, FR = 25 mrpm FC = 125 bpm RCR2T MV fisiológico bilateral, abdome: ponta de baço palpável, ausência de púrpuras e edemas. Seu Hemograma mostra: Hb = 5,0 g/dl VCM = 105 fl, leucócitos = 12.300 (Segmentados = 80% Linfócitos = 15% e Monócitos = 5%), Plaquetas:405.000/mm³. Qual a abordagem diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Solicitar dosagem de Vitamina B12 e ácido fólico.
  2. B) Indicar punção aspirativa de medula óssea.
  3. C) Solicitar contagem de reticulócitos, LDH e Sorologias para Hepatites.
  4. D) Solicitar contagem de reticulócitos, LDH e Eletroforese de Hemoglobina.
  5. E) Solicitar contagem de Reticulócitos, LDH e Teste de Coombs direto.

Pérola Clínica

Anemia com VCM > 100 fL (macrocítica) → investigar deficiência de B12 e ácido fólico como primeira linha.

Resumo-Chave

A presença de anemia com VCM elevado (macrocitose, VCM = 105 fl) em um paciente com fraqueza, palidez e icterícia sugere fortemente uma anemia macrocítica. As causas mais comuns e importantes a serem investigadas inicialmente são as deficiências de vitamina B12 e ácido fólico, que levam à anemia megaloblástica.

Contexto Educacional

A anemia macrocítica, caracterizada por um Volume Corpuscular Médio (VCM) superior a 100 fL, é um achado comum no hemograma e exige uma investigação diagnóstica sistemática. A apresentação clínica, como a do caso em questão (fraqueza progressiva, palidez, icterícia e esplenomegalia), é inespecífica, mas a macrocitose no hemograma direciona a investigação. É crucial diferenciar entre anemias megaloblásticas (por deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico) e não megaloblásticas. As deficiências de vitamina B12 e ácido fólico são as causas mais prevalentes de anemia megaloblástica e devem ser as primeiras a serem investigadas. A vitamina B12 é essencial para a síntese de DNA e mielinização neuronal, enquanto o ácido fólico é vital para a síntese de DNA e RNA. A carência de qualquer um desses nutrientes compromete a eritropoiese, resultando em eritrócitos grandes e imaturos. A dosagem sérica desses componentes é o passo inicial e mais direto para confirmar ou excluir essas deficiências. Outros exames, como contagem de reticulócitos, LDH e sorologias para hepatites, ou eletroforese de hemoglobina e Teste de Coombs direto, são importantes para o diagnóstico diferencial de outras anemias (hemolíticas, falência medular, hemoglobinopatias), mas não são a primeira linha para uma anemia macrocítica sem outros indícios específicos. A abordagem racional e sequencial é fundamental para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz, evitando atrasos e procedimentos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de anemia macrocítica?

As principais causas de anemia macrocítica incluem deficiência de vitamina B12, deficiência de ácido fólico (ambas levando à anemia megaloblástica), alcoolismo, doenças hepáticas, hipotireoidismo, síndromes mielodisplásicas e uso de certos medicamentos (ex: metotrexato, zidovudina).

Quais sintomas podem indicar deficiência de vitamina B12?

Além dos sintomas gerais de anemia (fraqueza, palidez, fadiga), a deficiência de vitamina B12 pode causar sintomas neurológicos como parestesias, ataxia, perda de memória e demência, e sintomas gastrointestinais como glossite e diarreia.

Por que a contagem de reticulócitos é importante na investigação da anemia?

A contagem de reticulócitos é um indicador da atividade da medula óssea na produção de eritrócitos. Em anemias por deficiência de B12/folato, a contagem de reticulócitos é tipicamente baixa, indicando uma resposta medular inadequada. Em anemias hemolíticas, por exemplo, a contagem estaria elevada.

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