Anemia Macrocítica: Investigação da Deficiência de B12 e Folato

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 61 anos vai a consulta médica com queixa de fadiga progressiva há cerca de oito meses associada a palidez cutânea e dispneia aos esforços. Nega outros sintomas. A paciente refere alimentação balanceada, sem restrições alimentares. Ao exame físico, apresenta mucosas hipocoradas. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Não há evidências de linfadenopatia ou hepatoesplenomegalia. Hemograma revela Hemoglobina = 9,5 g/dL (Referência: 12- 16 g/dL); Volume Corpuscular Médio = 110 fL (Referência: 80-100 fL); Contagem de Reticulócitos = 0,4% (Referência: 0,5-2,5%); Série branca e plaquetas sem anormalidades. Frente ao padrão de anemia encontrado, qual das alternativas a seguir traz o conjunto de exames laboratoriais mais pertinente para a investigação etiológica da condição da paciente?

Alternativas

  1. A) Dosagem de vitamina B12 e ácido fólico.
  2. B) Dosagem de ferro sérico, ferritina, e capacidade total de ligação do ferro (TIBC).
  3. C) Dosagem de haptoglobina, lactatodesidronegase, bilirrubinas (direta e indireta), e teste de Coombs direto e indireto.
  4. D) Pesquisa de sangue oculto nas fezes, eletroforese de hemoglobina, mielograma.

Pérola Clínica

Anemia macrocítica (VCM↑) + reticulócitos ↓ → Investigar deficiência de B12 e ácido fólico.

Resumo-Chave

A anemia macrocítica com reticulocitopenia sugere um problema na produção de eritrócitos na medula óssea, sendo as deficiências de vitamina B12 e ácido fólico as causas mais comuns. Essas vitaminas são essenciais para a síntese de DNA, e sua falta leva à eritropoiese ineficaz e à formação de megaloblastos.

Contexto Educacional

A anemia macrocítica é definida pela presença de eritrócitos com Volume Corpuscular Médio (VCM) acima de 100 fL. É uma condição comum, especialmente em idosos, e sua investigação etiológica é fundamental para um tratamento eficaz. Os sintomas, como fadiga, palidez e dispneia aos esforços, são inespecíficos e comuns a outras anemias, tornando os exames laboratoriais cruciais para o diagnóstico diferencial. A fisiopatologia da anemia macrocítica pode ser dividida em megaloblástica e não megaloblástica. A anemia megaloblástica, causada principalmente pela deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, resulta de um defeito na síntese de DNA, levando à eritropoiese ineficaz e à produção de eritrócitos grandes e imaturos. A contagem de reticulócitos baixa é um achado característico, indicando falha na produção medular. Anemias macrocíticas não megaloblásticas podem ser vistas em alcoolismo, doenças hepáticas, hipotireoidismo, síndromes mielodisplásicas e uso de certos medicamentos. Diante de um hemograma com VCM elevado e reticulocitopenia, a dosagem de vitamina B12 e ácido fólico é o passo inicial e mais pertinente na investigação. O tratamento consiste na reposição da vitamina deficiente, o que geralmente leva a uma resposta hematológica rápida. É importante também investigar a causa subjacente da deficiência (ex: anemia perniciosa, má absorção, dieta inadequada) para prevenir recorrências e complicações neurológicas associadas à deficiência de B12.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem anemia macrocítica?

A anemia macrocítica é caracterizada por um Volume Corpuscular Médio (VCM) elevado, geralmente acima de 100 fL. Outros achados podem incluir hemoglobina baixa e, em casos de deficiência de B12/folato, reticulocitopenia.

Por que a dosagem de vitamina B12 e ácido fólico é crucial na anemia macrocítica com reticulocitopenia?

A vitamina B12 e o ácido fólico são co-fatores essenciais para a síntese de DNA. A deficiência de um ou ambos leva à eritropoiese ineficaz e à produção de eritrócitos grandes e imaturos, resultando em anemia megaloblástica e reticulocitopenia.

Quais outras causas de anemia macrocítica devem ser consideradas?

Além das deficiências de B12 e folato, outras causas de anemia macrocítica incluem alcoolismo, doenças hepáticas, hipotireoidismo, síndromes mielodisplásicas, uso de certos medicamentos (ex: metotrexato, zidovudina) e reticulocitose acentuada (embora esta última geralmente eleve os reticulócitos).

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