SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Um homem de 63 anos de idade, com antecedente de doença diverticular colônica, compareceu ao pronto‑socorro com queixa de fraqueza e tontura. Nos exames admissionais, apresentou hemoglobina de 6,5, ht a 30 %, vcm e hcm no limite inferior da normalidade e rdw aumentado. O paciente relatou sangue vivo nas fezes durante as últimas semanas. A equipe médica solicitou reticulócitos, com valor de absoluto de 65.000 e 2,2% em índice (referência da normalidade 20.000 a 100.000 absoluto e 1 a 2 % de índice).Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Anemia + reticulócitos baixos (índice ou absoluto) = resposta medular inadequada → anemia hipoproliferativa.
A contagem de reticulócitos é fundamental para a classificação cinética das anemias. Neste caso, apesar da perda sanguínea evidente, a medula óssea não consegue compensar a produção (reticulócitos baixos), caracterizando uma anemia hipoproliferativa, cuja causa mais provável é a depleção dos estoques de ferro (ferropriva).
A abordagem cinética é uma forma funcional de classificar as anemias, baseando-se na resposta da medula óssea, avaliada pela contagem de reticulócitos. As anemias são divididas em hipoproliferativas (defeito de produção), distúrbios de maturação (eritropoiese ineficaz) e hiperproliferativas (perda por hemólise ou sangramento agudo). Uma anemia hipoproliferativa é caracterizada por uma contagem de reticulócitos inadequadamente baixa para o grau de anemia, indicando que a medula óssea não está respondendo como deveria. A causa mais comum de anemia hipoproliferativa no mundo é a deficiência de ferro, que limita a produção de hemoglobina e, consequentemente, de eritrócitos. Outras causas incluem anemia de doença crônica, insuficiência renal e aplasia de medula. No contexto de um paciente com sangramento gastrointestinal crônico, como na doença diverticular, a perda contínua de sangue leva à depleção gradual dos estoques de ferro. Inicialmente, a medula pode tentar compensar, mas com a exaustão do ferro, a produção de hemácias cai, resultando no perfil laboratorial clássico: anemia microcítica (VCM baixo), hipocrômica (HCM baixo), com anisocitose (RDW alto) e, crucialmente, hipoproliferativa (reticulócitos baixos).
O principal sinal é uma contagem de reticulócitos baixa, seja em valor absoluto (<20.000-40.000/µL) ou como um índice de produção reticulocitária (IPR) < 2. Isso indica que a medula óssea não está produzindo hemácias em uma taxa adequada para o grau de anemia.
O ferro é um componente essencial para a síntese do grupo heme na hemoglobina. Em uma perda sanguínea crônica, os estoques de ferro do corpo se depletam. Sem essa matéria-prima, a eritropoiese na medula óssea torna-se ineficaz e a produção de novas hemácias diminui, resultando em uma resposta hipoproliferativa.
Ambas podem ser hipoproliferativas e microcíticas. A diferenciação é feita pela cinética do ferro: na ferropriva, a ferritina é baixa e o TIBC (capacidade total de ligação do ferro) é alto. Na anemia de doença crônica, a ferritina é normal ou alta (reagente de fase aguda) e o TIBC é baixo.
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