Hemólise por Dapsona no Tratamento da Hanseníase

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 63a, queixa-se de fraqueza progressiva no último mês, sem precordialgia ou febre. Antecedentes pessoais: hanseníase multibacilar. Medicamentos em uso: iniciou tratamento com MDT (multidroga terapia) para hanseníase há quatro meses. Exame físico: vigil e orientado, hipocorado, anictérico. PA = 116/78 mmHg, FC = 92 bpm, FR = 18 irpm, ausculta cardíaca e respiratória normais. Exames laboratoriais: creatinina = 1,0 mg/dL, hemoglobina = 9 g/dL, leucócitos = 11.700/mm³, LDH = 873UI/L, bilirrubina totais = 2,8 mg/dL, bilirrubina direta = 0,8 mg/dL, bilirrubina indireta = 2,0 mg/dL. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Suspensão da dapsona e prescrição de ofloxacina.
  2. B) Prescrição de talidomida.
  3. C) Prescrição de corticoterapia sistêmica.
  4. D) Suspensão rifampicina e prescrição de minociclina.

Pérola Clínica

Hanseníase + Anemia + ↑BI/LDH → Hemólise por Dapsona → Suspender Dapsona.

Resumo-Chave

A dapsona, componente da poliquimioterapia (PQT) da hanseníase, pode causar hemólise oxidativa; a conduta é a suspensão da droga e substituição por esquemas alternativos.

Contexto Educacional

O tratamento da hanseníase no Brasil utiliza a poliquimioterapia (PQT) padrão da OMS. A farmacovigilância é essencial, pois a dapsona possui um perfil de toxicidade conhecido que inclui a síndrome de hipersensibilidade à dapsona (DRESS), meta-hemoglobinemia e anemia hemolítica. Diante de um paciente em tratamento para hanseníase que desenvolve anemia com padrão hemolítico (BI e LDH elevados), a suspensão da droga suspeita é mandatória. A substituição por ofloxacina garante a continuidade do tratamento bactericida sem expor o paciente ao risco de crises hemolíticas graves ou necessidade de hemotransfusão.

Perguntas Frequentes

Como identificar a hemólise causada pela dapsona?

O diagnóstico é sugerido pelo surgimento de anemia (queda da hemoglobina) após o início da poliquimioterapia (PQT), acompanhada de marcadores laboratoriais de hemólise: aumento da bilirrubina indireta, elevação expressiva da desidrogenase lática (LDH) e reticulocitose. Clinicamente, o paciente apresenta fadiga progressiva, palidez e, às vezes, icterícia leve, sem sinais de sangramento ativo.

Qual a conduta diante da toxicidade hematológica pela dapsona?

A conduta imediata é a suspensão definitiva da dapsona. Para não interromper o tratamento da hanseníase, deve-se instituir um esquema substitutivo. No caso da hanseníase multibacilar, a dapsona é substituída por uma quinolona (como ofloxacina) ou minociclina, mantendo-se a rifampicina e a clofazimina conforme as diretrizes do Ministério da Saúde.

Por que a dapsona causa hemólise?

A dapsona é um agente oxidante potente. No organismo, seus metabólitos induzem a formação de radicais livres que causam estresse oxidativo e danificam a membrana dos eritrócitos. Pacientes com deficiência da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) são extremamente suscetíveis, mas a hemólise e a meta-hemoglobinemia podem ocorrer em qualquer indivíduo dependendo da dose e da sensibilidade individual.

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