UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Mulher de 28 anos, G2P1, com 29 semanas de gestação vem se queixando de astenia há uma semana. Histórico antenatal sem intercorrências, exceto por uma cistite que foi tratada com nitrofurantoína por 7 dias há duas semanas. A gestante refere mudança na coloração da urina que ficou mais escura durante a última semana. Ao exame: PA 100/60 mmHg, Frequência cardíaca 80 bpm e afebril. Exame da glândula tireoide normal à palpação. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Fundo uterino compatível coma idade gestacional. Batimentos cardíacos fetais entre 130 e 140 bpm. Gestante apresentando leve icterícia. O diagnóstico mais provável é:
Gestante + icterícia + urina escura + uso de nitrofurantoína → Anemia hemolítica induzida por drogas.
A anemia hemolítica na gestação pode ser desencadeada por medicamentos com potencial oxidante, como a nitrofurantoína, especialmente em pacientes com deficiência de G6PD. A icterícia e a urina escura são sinais de hemólise, e a história de uso recente da droga é um forte indício diagnóstico.
A anemia hemolítica na gestação é uma condição que exige atenção, pois pode ter diversas etiologias, desde causas autoimunes até induzidas por drogas. A nitrofurantoína, um antibiótico comumente usado para infecções do trato urinário na gravidez, é um agente conhecido por desencadear hemólise em pacientes com deficiência de G6PD. Essa deficiência enzimática, embora mais prevalente em populações específicas, deve ser considerada no diagnóstico diferencial de icterícia e anemia em gestantes, especialmente após a exposição a agentes oxidantes. O reconhecimento rápido e a suspensão do agente agressor são fundamentais para a recuperação da paciente e a segurança fetal. A abordagem diagnóstica deve incluir exames laboratoriais que confirmem a hemólise e investiguem sua causa.
Os principais sinais e sintomas incluem astenia, fadiga, palidez, icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas), urina escura (colúria devido à hemoglobinúria), e em casos mais graves, taquicardia e dispneia. A história de uso de medicamentos oxidantes é um dado crucial.
A nitrofurantoína é uma droga com potencial oxidante. Em indivíduos com deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase), a capacidade das hemácias de lidar com o estresse oxidativo é reduzida, tornando-as suscetíveis à hemólise. Embora a deficiência de G6PD seja mais comum em homens, mulheres portadoras podem manifestar a doença, especialmente sob estresse oxidativo.
Para confirmar a anemia hemolítica, são indicados hemograma completo (anemia, reticulocitose), bilirrubinas (aumento da indireta), DHL (elevado), haptoglobina (diminuída), esfregaço de sangue periférico (esferócitos, corpúsculos de Heinz se G6PD), e teste de Coombs direto e indireto para descartar causas autoimunes. A dosagem de G6PD pode ser considerada após a fase aguda.
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