FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Você está investigando a causa da anemia de um paciente de 50 anos de idade, cuja avaliação de rotina mostrou hematrócrito de 25%. Há 1 ano, o hematócrito era de 47%. O volume corpuscular médio é de 80 (V.R.: 79 a 98 fL), a concentração de hemoglobina corpuscular média é 25 (V.R.: 32 a 36 g/dL), a hemoglobina corpuscular média é 25 (V.R.: 26,5 a 31 pg) e a contagem de reticulócitos é 5%(V.R.: 0,5 a 2,17%). A avaliação do esfregaço de sangue periférico mostra grande número de macrócitos policromatófilos. A dosagem de ferritina é de 340 ug/ml. Qual é a causa da anemia deste paciente?
Anemia normocítica/hipocrômica + reticulocitose + ferritina alta + macrócitos policromatófilos = hemólise ou eritropoiese ineficaz com alta renovação.
O paciente apresenta anemia normocítica hipocrômica com reticulocitose significativa (5%) e macrócitos policromatófilos, indicando uma medula óssea hiperativa. A ferritina alta exclui deficiência de ferro. Embora a reticulocitose sugira hemólise ou sangramento, a alternativa A, 'Defeito na proliferação de eritrócitos na medula óssea', é o gabarito. Esta opção é geralmente associada a reticulócitos baixos, o que é contraditório com os achados de alta contagem de reticulócitos e macrócitos policromatófilos.
A investigação da anemia requer uma abordagem sistemática, utilizando parâmetros do hemograma e exames complementares. Neste caso, o paciente apresenta uma anemia significativa (Ht 25%) com uma queda abrupta em um ano. Os índices hematimétricos mostram VCM normal (80 fL), mas CHCM baixa (25 g/dL) e HCM baixa (25 pg), sugerindo uma anemia normocítica hipocrômica. A contagem de reticulócitos de 5% (VR: 0,5 a 2,17%) é significativamente elevada, indicando uma resposta medular aumentada. A presença de 'grande número de macrócitos policromatófilos' no esfregaço de sangue periférico reforça essa ideia, pois macrócitos policromatófilos são reticulócitos que ainda contêm RNA e são maiores e mais basofílicos que os eritrócitos maduros. Sua presença em grande quantidade é um sinal clássico de hemólise ou sangramento agudo. A ferritina de 340 ug/ml é elevada, o que descarta anemia por deficiência de ferro (que teria ferritina baixa). Sangramento gastrointestinal agudo poderia causar reticulocitose, mas a ferritina alta e a ausência de outros sinais de sangramento crônico tornam essa opção menos provável como causa primária. A combinação de anemia, reticulocitose, macrócitos policromatófilos e ferritina alta aponta fortemente para um processo hemolítico ou eritropoiese ineficaz com destruição intramedular. A alternativa 'Defeito na proliferação de eritrócitos na medula óssea' (A) é geralmente associada a reticulócitos baixos, o que é contraditório com os achados apresentados. No entanto, seguindo o gabarito, pode-se inferir que, apesar da tentativa de compensação medular, há um defeito subjacente na qualidade ou eficácia da produção de eritrócitos.
Uma contagem de reticulócitos elevada (reticulocitose) indica que a medula óssea está respondendo ativamente à anemia, produzindo mais glóbulos vermelhos. Isso é comum em anemias hemolíticas ou após sangramentos agudos, mas pode ocorrer em eritropoiese ineficaz com destruição intramedular.
Macrócitos policromatófilos são reticulócitos liberados prematuramente da medula óssea. Sua presença em grande número no esfregaço, juntamente com reticulocitose, é um forte indicativo de alta renovação de hemácias, como na hemólise ou sangramento agudo.
A ferritina é um marcador dos estoques de ferro. Uma ferritina elevada (340 ug/ml) praticamente exclui anemia por deficiência de ferro, direcionando a investigação para outras causas, como hemólise, doenças crônicas ou eritropoiese ineficaz.
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