UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023
Mulher de 24 anos apresenta cansaço, fraqueza e taquicardia aos mínimos esforços há 2 dias. EF: FC 110 bpm, FR 18 ipm, PA 100/60mmHg, mucosas descoradas, baço palpável sobre o rebordo costal direito, aftas orais. Exames laboratoriais: Hb 5,7 g/dL, Ht 22%, VCM 108 fL, plaquetas 212.000/mm³, GB 4.800/mm³ com diferenciais normais, reticulócitos 5,6%, BT 4,5 mg/dL, BI 3,8 mg/dL, DHL 4 vezes o valor de normalidade, Cr 0,6 mg/dL. O exame que auxiliará no diagnóstico é a(o)
Anemia macrocítica + reticulocitose + ↑DHL/BI + esplenomegalia → suspeitar hemólise. Teste de Coombs direto = diagnóstico de AIHA.
O quadro clínico e laboratorial (anemia, macrocitose, reticulocitose, elevação de DHL e bilirrubina indireta, esplenomegalia) é altamente sugestivo de anemia hemolítica. O teste da antiglobulina direta (Coombs direto) é o exame chave para confirmar a etiologia autoimune da hemólise, detectando anticorpos ou complemento na superfície dos eritrócitos.
A anemia hemolítica autoimune (AIHA) é uma condição na qual o sistema imunológico do paciente produz anticorpos que atacam seus próprios glóbulos vermelhos, levando à sua destruição prematura. É uma causa importante de anemia e pode se apresentar com fadiga, palidez, icterícia e esplenomegalia. O reconhecimento precoce é vital para o manejo adequado e para evitar complicações graves. O diagnóstico da AIHA baseia-se em uma combinação de achados clínicos e laboratoriais. Clinicamente, o paciente pode apresentar sinais de anemia e hemólise. Laboratorialmente, observa-se anemia, reticulocitose, aumento de DHL e bilirrubina indireta, e, frequentemente, macrocitose. O exame confirmatório é o Teste da Antiglobulina Direta (TAD), também conhecido como Coombs direto, que detecta anticorpos ou complemento na superfície dos eritrócitos. A presença de aftas orais, como no caso, pode sugerir uma doença autoimune subjacente, como lúpus eritematoso sistêmico, que pode cursar com AIHA. O tratamento da AIHA geralmente envolve corticosteroides como primeira linha, com imunossupressores ou esplenectomia para casos refratários. Transfusões de sangue podem ser necessárias em casos de anemia grave, mas devem ser realizadas com cautela devido ao risco de reações transfusionais. Compreender o diagnóstico e o manejo da AIHA é fundamental para residentes, pois é uma condição que exige raciocínio clínico apurado e conhecimento de exames laboratoriais específicos.
Os achados laboratoriais que sugerem anemia hemolítica incluem hemoglobina baixa, reticulocitose (aumento da produção de eritrócitos jovens), aumento da desidrogenase láctica (DHL), aumento da bilirrubina indireta (BI) e diminuição da haptoglobina. O VCM pode ser normal, aumentado ou diminuído dependendo da causa.
O teste da antiglobulina direta (Coombs direto) é utilizado para detectar a presença de anticorpos (IgG) ou componentes do complemento (C3) aderidos à superfície dos glóbulos vermelhos do paciente. Um resultado positivo confirma a natureza autoimune da hemólise, sendo diagnóstico de Anemia Hemolítica Autoimune (AIHA).
Além da anemia hemolítica autoimune, outras condições podem causar hemólise, como hemoglobinopatias (ex: anemia falciforme), deficiências enzimáticas (ex: G6PD), membranopatias (ex: esferocitose hereditária), reações transfusionais, infecções e algumas drogas. O diagnóstico diferencial é crucial.
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