Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2021
Leia o caso clínico a seguir.Paciente de 32 anos, com lúpus eritematoso sistêmico, dá entrada no pronto-socorro com intensa dispneia e dosagem de hemoglobina de 3,1 g/dL. O teste de Coombs direto é reagente (4+/4+); é solicitada a transfusão de dois concentrados de hemácias, porém o serviço de hemoterapia informa que todos os concentrados de hemácias cruzados foram incompatíveis e a pesquisa de anticorpo irregular foi positiva. Também não foi possível definir o grupo sanguíneo ABO e Rh do paciente.A conduta recomendada para este paciente é:
Anemia hemolítica autoimune grave + panaglutinação + urgência transfusional → transfundir O Rh negativo lentamente, mesmo incompatível.
Em pacientes com anemia hemolítica autoimune grave e necessidade transfusional urgente, onde há panaglutinação e impossibilidade de encontrar bolsas compatíveis, a transfusão de concentrado de hemácias O Rh negativo é a conduta mais segura. Embora possa haver incompatibilidade, o risco de não transfundir é maior que o risco de uma reação hemolítica, que será mediada pelo autoanticorpo já presente.
A anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma condição na qual o sistema imunológico do paciente produz autoanticorpos que atacam e destroem suas próprias hemácias. Em pacientes com doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistêmico (LES), a AHAI é uma complicação comum e pode ser grave, levando a quadros de anemia profunda e dispneia intensa, exigindo transfusão de urgência. Fisiopatologicamente, a presença de autoanticorpos (detectados pelo teste de Coombs direto positivo) e, por vezes, aloanticorpos (pesquisa de anticorpo irregular positiva), pode causar panaglutinação, tornando a compatibilização de bolsas de sangue extremamente difícil ou impossível. Nesses casos, a prioridade é a correção da hipóxia tecidual iminente. O diagnóstico é clínico (anemia grave, dispneia) e laboratorial (hemoglobina baixa, Coombs direto positivo, pesquisa de anticorpo irregular positiva). O tratamento de urgência, quando a vida do paciente está em risco devido à anemia grave e não há bolsas compatíveis, é a transfusão de concentrado de hemácias O Rh negativo. Embora possa haver alguma incompatibilidade residual, o risco de não transfundir é maior. A transfusão deve ser feita lentamente e com monitorização rigorosa. Simultaneamente, deve-se iniciar o tratamento da AHAI com corticoides (como metilprednisolona em pulsoterapia) para suprimir a resposta autoimune. O prognóstico depende da resposta ao tratamento imunossupressor e da capacidade de manter a oxigenação tecidual.
Em AHAI grave com panaglutinação e urgência transfusional, o concentrado de hemácias O Rh negativo é a opção mais segura, pois minimiza a introdução de novos antígenos que poderiam reagir com aloanticorpos ou autoanticorpos, e o risco de não transfundir é maior que o de uma reação.
O teste de Coombs direto positivo indica a presença de anticorpos (autoanticorpos) aderidos às hemácias do paciente, confirmando a natureza autoimune da hemólise e explicando a dificuldade de compatibilização das bolsas.
A plasmaférese é um procedimento demorado e não corrige a anemia aguda de forma imediata. Em um paciente com hemoglobina de 3,1 g/dL e dispneia intensa, a prioridade é a correção da hipóxia tecidual através da transfusão.
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